A ministra Ellen
Gracie, favorável às pesquisas com células-tronco
embrionárias, e os ministros Menezes Direito e Ricardo
Lewandowski, que votaram pela imposição de restrições
às pesquisas, discutiram hoje (29) na retomada do julgamento
no Supremo Tribunal Federal (STF) da ação direta de
inconstitucionalidade que questiona o Artigo 5º da Lei de
Biossegurança.
Ao reiterar seu voto, adiantado em 5 de
março, quando se iniciou o julgamento, Ellen Gracie criticou
votos de colegas que estabeleceram “condicionantes” às
pesquisas: “Acredito que aí estaríamos excedendo, e
muito, o mandato conferido ao STF.”
A ministra também
afirmou que o argumento de um cientista, usado por Menezes Direito,
“é um trabalho único, não publicado, e não
submetido à comunidade científica internacional”.
Gracie disse que prefere se “apoiar mais em afirmações
feitas pela séria comunidade científica brasileira”.
Lewandowski reagiu e disse que “a corte tem estabelecido
nos últimos tempos algumas condicionantes, quase adentrando no
campo do legislador”. Ele justificou seu voto por entender que Lei
de Biossegurança ”é extremamente vaga e foi formulada
de forma imprecisa”.
Menezes Direito disse, ao comentar a
crítica de Gracie, que “lamentava muito” o fato de ela não
ter acompanhado seu voto com atenção. “Não
seria eu leviano em trazer a esta corte alguma informação
de natureza científica que não estivesse embasada em
pesquisa com toda certeza possível em matéria de
ciência.”
Direito ressaltou ainda que não se
preocupa com interpretações de seu voto: “Isso faz
parte do jogo democrático e da sociedade plural, e temos
necessariamente uma obrigação moral e ética, que
é superior, de respeitar essas opiniões”.