



|
Brasília - O ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, disse que
tem dúvidas sobre os votos restritivos dados por ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) ontem (28), durante o julgamento da constitucionalidade das pesquisas
com células-tronco embrionárias.
“Eu fico um pouco
perdido, sem saber o que vai acontecer na prática com os votos
que condicionam a autorização a um conjunto de
ressalvas. Espero que o presidente [do STF, ministro Gilmar Mendes], no final da votação,
possa esclarecer à sociedade a decisão do ponto de
vista prático”, ponderou.
Temporão
considerou um “voto estranho” o parecer dado ontem pelos
ministros Menezes Direito, Ricardo Lewandowski, Eros Grau e Cezar
Peluso. “Você desvia um pouco o foco de atenção
e coloca uma série de exigências que, na prática,
significam dizer não. Acho que é mais honesto dizer
não”, defendeu.
O ministro ressaltou ainda que “quem legisla é
o Congresso”. “O que está sendo julgado é a
constitucionalidade, ou não, de um artigo da Lei de
Biossegurança. Se for necessário fazer mudanças
na legislação, como fica a independência dos
Poderes?”, questionou.
Entretanto, o ministro
da Saúde manifestou-se confiante na votação de
hoje (29) e reafirmou a importância da aprovação do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas. “É
uma das poucas áreas em que o Brasil pode competir com os países
centrais em condições iguais. Se nós não
não autorizarmos as pesquisas, vamos depender de uma
tecnologia que será desenvolvida lá fora e nos será
vendida a preço muito caro”, afirmou.
|
|