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São Paulo - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apresentou
hoje (29), em audiência pública realizada em São Paulo, uma proposta de mudança
no cálculo dos reajustes das contas de telefone fixo que tende a reduzir os índices de aumento.
Na sugestão elaborada pela agência,
o chamado Fator X, redutor aplicado ao percentual de reajuste apurado de acordo
uma espécie de inflação dos itens de telecomunicações, seria modificado e passaria a ter um peso maior na fórmula dos reajustes. Segundo o gerente-geral de Competição da
Anatel, José Gonçalves Neto, a mudança proposta se divide em duas partes:
aumento no repasse aos consumidores do ganho de produtividade das operadoras e a
fixação de critérios mais exigentes para o cálculo do índice de aumento da produção. Ele explicou que, de acordo com a fórmula atual de cálculo dos reajustes da telefonia fixa, as empresas são obrigadas a repassar aos seus clientes 50% do ganho de produtividade obtido nos três anos anteriores, em forma de abatimento nas tarifas cobradas pelos serviços prestados.
Se a proposta da Anatel for posta em prática, esse percentual de repasse passaria para 75% e, a partir de 2011, para 100% do ganho alcançado. Já na questão do cálculo desse aumento, a
mudança seria a inclusão de um novo índice na conta. Atualmente, disse José Gonçalves Neto, o ganho da empresa é calculado com base nos resultados apresentados por ela a Anatel. A
agência, porém, gostaria que, além dos resultados da empresa, fosse também
incluído na conta um ganho de produtividade ideal, fixado com base
em estudos que apurariam quanto a companhia poderia ter produzido a mais, caso
tivesse adotado práticas mais eficientes. Dessa forma, explicou o gerente da Anatel, o índice de produtividade seria um meio termo
entre o apurado na prática, com base nos resultados reais, e o ideal, apontado
pela agência. “Quando apresentamos uma proposta, temos um certo grau de
certeza dos benefícios que ela pode trazer”, observou. “Mas a mudança está
sendo estudada, aceitamos sugestões”, concluiu o representante da Anatel,
reforçando que a proposta está em fase de consulta pública, com prazo de
contribuições até o dia 9 de junho. Representantes das operadoras, entidades de defesa do
consumidor e cidadãos podem enviar sua colaboração através do site www.anatel.gov.br. Na página, também está
disponível a íntegra da norma que pretende estabelecer a nova forma de cálculo. Marcos Bafutto, que representou a operadora Telefônica na audiência, disse que os tópicos apresentados hoje pela Anatel ainda serão avaliados pela empresa antes da apresentação de sugestões.
“Ainda estamos tentando entender a proposta. Vamos voltar pra casa e
analisar com calma antes de opinar”, afirmou.
Já o representante da Oi, Carlos Franco, disse que fórmula de cálculo com base no
compartilhamento dos ganhos de produtividade, sugerida pela agência, é ilegal e que a operadora reivindicará mudanças. “A Lei Geral de Telecomunicações prevê um
compartilhamento dos ganhos de produtividade”, afirmou.
“Compartilhar é dividir, e repassar 100% do aumento de produtividade alcançado por uma empresa não é uma
divisão”, alegou.
Na próxima terça-feira (3), outra audiência pública será
promovida pela Anatel para a discussão da proposta em questão. Desta vez, o evento
ocorrerá em Brasília.
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