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1 de Junho de 2008 - 15h14 -
Última modificação
em 2 de Junho de 2008 - 10h27
Três em cada quatro brasileiros não freqüentam bibliotecas
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiúza/ABr
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Taguatinga (DF) - Criança de escola de Taguatinga folheia livro do projeto Mala do Livro, inagurado na estação do metrô
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Brasília - A pesquisa Retratos
da Leitura no Brasil, lançada na última semana pelo Instituto
Pró-livro, mostrou que a biblioteca ainda é vista como
um lugar desinteressante para a população. A maioria
dos entrevistados - 67% - afirmou que sabe da existência de uma
biblioteca pública em sua cidade, mas 73% declararam que não
costumam usar o serviço. A estimativa indica que três a
cada quatro brasileiros não vão a bibliotecas.
No lançamento da
pesquisa, o ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, afirmou que
as bibliotecas precisam deixar de ser “depósitos de livro”.
Para a presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, Nêmora
Rodrigues, espaços defasados e com poucos recursos são uma
das causas do desinteresse do brasileiro. “Elas [bibliotecas]
passam por uma série de dificuldades, falta acervo
atualizado e equipamentos para se tornarem mais atrativas. Hoje,
com a multimídia e todas as oportunidades de interação,
o computador poderia ser um atrativo para a pessoa freqüentar a
biblioteca e, a partir disso, ler também o livro em papel ”.
Jeferson Assunção,
coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) do
Ministério da Cultura, explica que a melhoria das bibliotecas já está prevista no programa Mais Cultura. A modernização
de cerca de 400 bibliotecas deve ocorrer ainda em 2008. “Isso será feito
a partir de uma perspectiva da biblioteca como centro cultural. O
livro é o principal elemento, mas estará articulado com
outros suportes de leitura”.
A pesquisa mostra ainda que 8% dos brasileiros, cerca de
15 milhões de pessoas, não têm nenhum livro em casa.
Para Assunção, o dado reforça a importância
do fortalecimento das bibliotecas públicas para garantir o
acesso à leitura.
De acordo com o
Ministério da Cultura, 90% dos municípios contam com
pelo menos uma biblioteca pública, mas, segundo Nêmora,
esse número não expressa a realidade. “Dizer que
existe uma sala, um local em que se colocam livros ali dentro não
significa dizer que é uma biblioteca. A biblioteca é um
organismo dinâmico, ela não vive de um amontoado de
livros”.
Nêmora critica ainda o fato de que muitas bibliotecas escolares não contam com profissionais
adequados. “Muitas vezes, os locais são administrados por
professores em desvio de função e não bibliotecários”, afirma.
Para cativar aqueles
que não vão à biblioteca, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal desenvolve o projeto Mala do Livro. Uma
caixa de madeira com acervo variado é deixada em pontos de
grande circulação. O público leva o livro para
casa e devolve quando quiser. Não precisa de cadastro ou
termo de compromisso, basta preencher uma ficha com o próprio
nome e o título da obra que vai levar. Na última sexta-feira (30),
uma mala foi deixada na estação do metrô de
Taguatinga.
“Biblioteca é
lugar de livro, metrô não. Essa é a diferença,
é uma antítese que chama a atenção de
pessoas que têm o hábito de ler e outras que estão
pegando um livro pela primeira vez”, conta Israel Ângelo, agente do
projeto. Em duas horas, dez exemplares foram emprestados, entre eles
Hamlet, de Shakespeare, escolhido por Luan de Santos, de 12 anos, que
pegava o metrô para voltar para casa depois da escola.
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