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São Paulo - O ministro da
Fazenda, Guido Mantega, confirmou hoje (30 ) que o governo criará
uma poupança fiscal de mais 0,5 % do Produto Interno Bruto
(PIB), o que corresponde a R$ 13 bilhões, que servirá
tanto para colaborar com a política antiinflacionária
do governo, que é o primeiro objetivo e a prioridade neste
momento, quanto para servir como um fundo para os momento de
desaceleração da economia.
De acordo com
Mantega, o Fundo Soberano Brasileiro (FSB) será criado em
virtude da disponibilidade de arrecadação do governo e
seu gestor será o Tesouro Nacional.
“Nós sabemos que existe hoje um
recrudescimento da inflação no mundo inteiro, que
também nos atinge. Então, embora o Brasil tenha taxas
de inflação menores do que a maioria dos países
emergentes, temos que tomar cuidado com a inflação e
estamos empenhados em impedir que a inflação cresça
no país. Fazer uma poupança fiscal de 0,5% do PIB ajuda
esta tarefa porque representa um gasto menor do estado”, disse o
ministro, em entrevista à imprensa.
O projeto de lei que cria o Fundo Soberano
Brasileiro será encaminhado ao Congresso Nacional na próxima
semana e, segundo Mantega, deverá ser votado em caráter
de urgência, em 45 dias, mas, durante esse período, o
governo já começará a poupar os recursos.
“Aliás, nós já estamos fazendo essa poupança.
Se vocês olharem o resultado fiscal dos primeiros quatro meses
do ano, verão que nós fizemos um superávit
maior. Portanto, já estamos deixando de gastar, e isso será
guardado até o final do ano”. Nos primeiros quatro meses do
ano, o superávit primário foi de 6,8%.
O ministro definiu o Fundo Soberano como poupança
“anticíclica” e explicou que os recursos reservados
durante o período em que a economia está bem e o país
está arrecadando mais, devido ao crescimento e faturamento das
empresas, poderão ser usados em um momento em que o nível
de atividade retroceder para evitar desaceleração da
economia. “Imagine que daqui a um ano, ou mais, haja uma
desaceleração da economia. Nesse momento será
mais difícil fazer o superávit primário, e aí
é o momento de usar essa poupança fiscal.”
De acordo com Mantega, o uso dos recursos do fundo
para cobrir as despesas durante uma desaceleração
evitará a redução de investimentos e gastos do
governo. “Quando há desaceleração da economia
e se reduz investimento e gasto, se acentua a retração
econômica”. Mantega reforçou que o Fundo Soberano é
uma medida de precaução para amparar o crescimento da
economia, um instrumento fiscal, cambial e estratégico. O
Fundo Soberano não fará operações com
empresas, apenas entre moedas, salientou.
Além disso, o fundo poderá
ser usado para compra de dólares em momentos oportunos, se for
conveniente para favorecer o câmbio. “Mas isso não é
obrigatório, e não vou mencionar o período,
mesmo porque isso interfere no mercado, poderá comprar ou não,
mas estará autorizado a comprar dólar”. Mantega
enfatizou que a compra dos dólares influenciará o
câmbio para diminuir a pressão sobre o real. “Hoje
temos desvalorização do dólar e valorização
do real, e isso prejudica as exportações brasileiras”.
Ele disse que, com os dólares do Fundo Soberano, o governo poderá também comprar títulos
financeiros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), por exemplo, que rendem 6,5% e podem ser vendidos a
qualquer momento. “Teremos então reservas que rendem mais do
que rendem as reservas brasileiras. Então, o fundo terá
uma poupança que até pode crescer em função
desses rendimentos que serão utilizados”.
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