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1 de Junho de 2008 - 15h27 - Última modificação em 1 de Junho de 2008 - 15h27


Mãe é quem mais incentiva a leitura, mostra pesquisa

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

 
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Elza Fiúza/ABr
Taguatinga (DF) - Crianças de escola deTaguatinga pegam obras emprestadas do projeto Mala do Livro, lançado na estação do metrô em Taguatinga
Taguatinga (DF) - Crianças de escola deTaguatinga pegam obras emprestadas do projeto Mala do Livro, lançado na estação do metrô em Taguatinga
Brasília - A mãe é a pessoa que mais influencia o gosto pela leitura. A constatação é da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada na última semana pelo Instituto Pró-Livro.

Dos entrevistados que declararam gostar de ler, 49% disseram que o maior estímulo veio da mãe. Os professores vêm em segundo lugar, citados por 33%.

A pedagoga e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Norma Lúcia Queiroz, reafirma que a família é a responsável pela iniciação do leitor, já que a educação infantil no Brasil começa, na prática, a partir dos 4 anos.

“A família tem uma influência importante. Mas depois que a escola inicia o trabalho, é importante que a família não deixe de estimular. Acho que cabe à escola instigar a família, há muitos projetos interessantes, como por exemplo dar um livro para o aluno levar para casa”, explica.

O fato de a mãe ser vista como a maior influência é um reflexo cultural, acredita Norma. “É muito real que a mãe, com as crianças menores, assume muito esse papel. A mulher assume muito mais esse papel de cuidar. Mas a gente já tem pais que rompem um pouco com esse estigma”, avalia. Na pesquisa, o pai ou o homem da casa é citado como influência por 30% dos pesquisados.

O estímulo a partir do exemplo também aparece na pesquisa. Entre os leitores, o percentual de entrevistados que declarou ver com freqüência alguém da família lendo em casa era o dobro do que entre o índice dos não-leitores.

Jeferson Assunção, coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) do Ministério da Cultura, diz que a responsabilidade pela formação de leitores é de toda a sociedade. “Leitura qualifica a relação do indivíduo com o meio ambiente, com a segurança, com a saúde, então é uma tarefa de todo mundo. O agente de leitura tem que ser o empresário, a escola, o trabalhador, a mãe”, afirma.

Norma recomenda que o incentivo comece ainda no primeiro ano de vida. “Não tem nenhuma contra-indicação, o melhor é viciar a criança desde cedo. A criança escutar uma história é uma forma de ler, ela lê a partir do outro”, diz. A professora lembra que formar leitores na adolescência é bem mais difícil porque o jovem já está envolvido com outras atividades e interesses. A indicação dela é começar pela literatura infantil. “Botar a criança no colo, em um lugar aconchegante. Livros coloridos chamam a atenção e as ilustrações fazem parte da história”.

Outra forma de estímulo é presentear a criança com livros. “Valoriza o instrumento, mostra que é prazeroso. A leitura e a brincadeira precisam estar muito juntas na infância”, diz Norma. A pesquisa do Instituto Pró-livro reforça a teoria. Entre o grupo dos leitores, 52% são geralmente presentados com livro, enquanto 85% dos não-leitores disseram nunca ter ganhado um livro de presente.


 


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