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Brasília - As recentes ocupações
de prédios públicos e interdições de
estradas promovidas por comunidades indígenas estão
relacionadas a queixas de assistência deficiente em saúde
e a conflitos pela ocupação de terras. Esta é a
avaliação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
que entende as ações como “legítimas” e
sintomáticas, apesar de não serem fruto de um
planejamento comum.
“Não temos
registro de articulação nacional de luta dos povos
indígenas contra determinado órgão público,
mas a ocorrência de variadas manifestações coloca para o governo um desafio de aprimorar o que vem sendo feito na política
indigenista”, afirmou o advogado do Cimi, Paulo Machado
Guimarães. Ele ressaltou que a eventual ocorrência futura de manifestação articulada seria um avanço na luta das comunidades por seus direitos.
“Os índios
estão exercendo um direito legítimo, de livre
expressão, e nenhuma autoridade pública deve se
surpreender com isso, pois tratam de problemas alertados há
muito tempo”, acrescentou.
Um dos alvos
preferenciais dos protestos indígenas tem sido a Fundação
Nacional de Saúde (Funasa). Prédios do órgão
foram ocupados esta semana em Cuiabá (MT) e Ubatuba, no litoral norte
de São Paulo. Em abril, índios já haviam
protestado na porta do Ministério da Saúde. As
principais reclamações envolvem corpo clínico
insuficiente e falhas na distribuição de medicamentos.
“Não existe
carência de recursos orçamentários. Há um
volume que o meio clínico considera suficiente e aí o
problema é de gestão. Isso faz com que o atendimento
na ponta passe a ser problemático”, disse Guimarães.
O advogado do Cimi
lembra que há dificuldade em convencer profissionais de saúde
a manterem atuação permanente em determinadas áreas
indígenas. Os motivos são o trabalho em condições
precárias, a dificuldade de acesso e exposição
ao risco de contaminação de doenças. Uma das
soluções apontadas, para a melhoria da assistência,
seria o maior investimento governamental na formação de
agentes de saúde das próprias comunidades. Segundo
Guimarães, há experiências bem sucedidas em
Roraima, com “medidas de cautela e prevenção”
adotadas de forma eficiente pelos índios capacitados.
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