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Rio de Janeiro - As
mudanças no clima vão afetar a matriz energética
brasileira, baseada em fontes renováveis, responsáveis
por 46,4% da energia no modelo atual. O alerta é do estudo
Mudanças Climáticas e Segurança Energética
no Brasil, divulgado hoje (2) pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ).
Segundo a pesquisa, as mudanças vão
prejudicar em cerca de 2% o potencial das hidrelétricas, que
geram 85,6% da energia no país e podem reduzir até 60%
o potencial de energia eólica. Em algumas regiões, as
mudanças poderão acabar com culturas de biodiesel, com
exceção da cana-de-açúcar, que seguirá
bem no cenário avaliado.
"As principais regiões
produtoras [de
cana-de-açúcar]
no país continuarão dentro dos limites de temperatura
propícios ao cultivo", diz o texto.
Segundo
a pesquisa da UFRJ, os impactos das mudanças climáticas
no atual modelo energético estão previstos para 2071 e
2100 e foram traçados a partir das projeções
para 2030 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada
ao governo federal.
De acordo com o estudo, os impactos do aquecimento global, ainda que distantes,
podem ser minimizados se o país reduzir o consumo de energia e
diversificar sua matriz investindo, principalmente, na produção
de eletricidade a partir do bagaço da cana e do vento.
"O
Brasil precisa ser muito mais ousado na parte de termelétricas
à bagaço e na parte de energia eólica.
Seguramente nesta, precisa ser bastante mais ousado. Tinha que tirar
ela do bojo das outras fontes e trabalhá-la de forma
independente", disse Alexandre Szklo, um dos autores
da pesquisa.
Ainda
de acordo como estudo da UFRJ, apesar de a tendência ser a
perda de potencial no interior, a energia eólica estará
favorecida no litoral do país, onde a haverá aumento de
ventos de alta velocidade.
Para
o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, as previsões do
estudo da UFRJ não sinalizarão mudanças na
política estratégica do governo. Segundo ele, os
cenários pesquisados estão baseados em "incertezas"
em pouco influenciam no modelo atual.
"O
efeito das mudanças climáticas é mínimo
sobre o sistema elétrico brasileiro. Tanto sobre hidrelétrico,
como sobre a cana", disse em referência à
pesquisa." No que diz respeito à eólica, apesar do
efeito ser maior, mostra também que na costa o potencial pode
aumentar. Reduz o potencial do vento em termos de total, mas
intensifica-se a velocidade em outros locais".
O
estudo da UFRJ destacou também que as mudanças do clima
provocarão mais prejuízos à região
Nordeste que a região Sul. Esta pode ainda ter seu potencial
energético aumentado.
Enquanto
para o Nordeste está previsto o fim das plantações
de soja e mamona, prejudicadas pelas altas temperaturas e pela
estiagem; na região Sul a estimativa é de que as novas
condições favoreçam o cultivo da primeira.
Em
relação às hidrelétricas, enquanto no
Nordeste há também o risco de queda em até 7,7%
da produção de energia na Bacia do Rio São
Francisco, na Grande Bacia do Paraná a previsão é
de alta. Ambos movimentos influenciados pelo novo regime de chuvas.
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