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Brasília - O setor
de supermercados está pessimista em relação ao
volume de vendas nos meses de março e abril de 2008. Os
números ainda não foram fechados mas, de acordo com o
presidente da Associação Brasileira de Supermercados
(Abras), Sussumu Honda, os donos de supermercados esperam uma
retração superior aos 2% registrados em janeiro e
fevereiro deste ano.
“O
resultado dos primeiros dois meses desse ano acendeu a luz amarela
para os supermercadistas. O faturamento não caiu porque os
preços subiram, mas o consumidor, principalmente os das
classes menos favorecidas, está comprando menos. Não
esperamos uma melhora para março e abril devido a alguns
repasses que tiveram que ser feitos. A carne foi um item que subiu
muito e pode pesar nessa conta”, disse o presidente da Abras.
De acordo
Honda, nos últimos quatro anos, foram registrados índices de crescimento
consecutivos no volume negociado. Em 2005, esse crescimento foi de 6%.
Em 2006, ficou acima de 5% e em 2007, a variação foi de 3%. “A queda é no volume comercializado
global que vinha crescendo nos últimos três anos”,
explicou Honda.
Segundo o
presidente da Abras, houve mudança de comportamento
do consumidor, que manteve o consumo dos produtos básicos de
alimentação, responsáveis pelas maiores altas,
como o arroz e os derivados de trigo. O consumidor, no entanto, deixou de colocar no
carrinho de compras produtos que faziam parte de seu consumo, como iogurtes, bebidas, creme de leite, leite
condensado e refrigerantes, os chamados “supérfluos”. A
retração em relação a esses produtos é
esperada para os meses de março e abril.
“Outros
produtos que, no ano passado, o brasileiro havia incluído em sua
lista de compras devem apresentar redução no consumo,
como laticínios, alguns produtos perecíveis e bebidas.
As pessoas não tiveram opção, pois subiram itens
que substituem uns aos outros. É o caso do macarrão e
do arroz. O dois tiveram alta no preço. No entanto, o
consumidor brasileiro não deixa de levá-los. Opta por
deixar de comprar outros produtos”, explicou.
Um estudo
feito pela LatinPanel, maior instituto de pesquisa de consumo
domiciliar da América Latina, demonstrou que o volume de
compras para abastecimento do lar, no acumulado de janeiro a março
deste ano, ficou estável no comparativo com igual período
do ano passado. Frente ao último trimestre de 2007,
entretanto, a retração foi acentuada e bateu a marca de
4%.
Os
alimentos foram os campeões da retração, de
acordo com o estudo. A cesta registrou queda de 6% no volume
consumido pelos domicílios no comparativo de janeiro,
fevereiro e março de 2008, contra outubro, novembro e dezembro
do ano passado. Nas classes D e E, a queda foi mais acentuada: 7%.
O estudo
já havia registrado retração no consumo de
bebidas: queda de 3% no volume comprado pelos domicílios no
primeiro trimestre deste ano frente ao último trimestre de
2007. As cestas de higiene pessoal e de produtos de limpeza
mantiveram-se estáveis.
A
LatinPanel acompanha semanalmente o consumo de 8,2 mil domicílios,
o que representa 82% da população domiciliar e 91% do
potencial de consumo do País.
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