Roosewelt Pinheiro/ABr
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Brasília - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na cerimônia de assinatura de decreto criando três unidades de conservação na Amazônia Legal
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Brasília - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva alertou hoje (5) que o Brasil terá
que enfrentar um forte debate mundial sobre preservação
ambiental, mas que o governo não tem medo dessa discussão.
“Senti um pouco na
FAO [reunião da Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação, em Roma, que
discutiu segurança alimentar] o quanto vamos ser atacados
e com os mais diversos argumentos, inclusive sobre a questão
da Amazônia”, afirmou no discurso em comemoração
ao Dia Mundial do Meio Ambiente.
“Não temos
preocupação em fazer esse debate em nenhum lugar do
mundo sobre a preservação e o desmatamento, que eles
tanto nos provocam”, disse.
Lula reafirmou que
existem muitos palpiteiros que querem opinar sobre como o Brasil deve
preservar a Amazônia, e fez uma comparação com a
água benta de igreja.
“De vez em quando
fico pensando que a Amazônia é igual aqueles vidros de
água benta que têm nas igrejas e todo mundo acha que pode
meter o dedo. Basta ser católico e entrar na igreja que quer
colocar o dedo para se benzer”.
O presidente disse que
não é egoísta e que quer partilhar com a
humanidade os benefícios da preservação
ambiental da Amazônia. “Queremos partilhar com a humanidade,
queremos que todos respirem o ar verde produzido pelas nossas
florestas”.
Lula disse acreditar
que em maneira de preservação ambiental, não
existe no mundo um exemplo como o Brasil.
“A Europa, por
exemplo, só tem 0,3% da sua floresta nativa em pé. O
Brasil ainda tem 69%”.
O presidente defendeu
punição mais rígida para as pessoas que fazem
queimadas na Amazônia.
Na cerimônia
foram assinados decretos instituindo três novas unidades de
conservação, sendo duas reservas extrativistas e um
parque nacional. O presidente também assinou uma mensagem ao
Congresso Nacional do projeto de lei que institui a Política
Nacional sobre Mudanças Climáticas.
Também foi
autorizada a criação de um grupo de trabalho
interministerial para acertar os detalhes do Fundo de Proteção
e Conservação da Amazônia.
De acordo com o
ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, embora vá receber
doações nacionais e internacionais, o fundo será
soberano.
“O Fundo vai permitir
aplicar centenas de milhares de dólares de forma autônoma
e soberana”, disse Minc, acrescentando que os doadores não
terão acento na administração fundo e, portanto,
não poderão interferir em qualquer decisão.