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Brasília - Por meio do Cadastro Nacional de Voluntários em Estudos de
Biodisponibilidade e Bioequivalência (CNVB), a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) vai controlar de perto a participação de voluntários em
pesquisas com medicamentos genéricos.
A resolução que prevê a criação da ferramenta foi publicada no
Diário Oficial da União (DOU) nesta semana e elaborada após denúncias de
irregularidades como a remuneração ilegal de voluntários e a participação de um
mesmo indivíduo em mais de um teste, simultaneamente.
O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello,
garante que todos os institutos que encaminharem solicitações de pesquisas para
registro de medicamentos genéricos, a partir do próximo mês, já estarão
sujeitos ao cadastro.
“O sistema tem uma chave. Quando o pesquisador recruta um
voluntário, deve preencher no sistema alguns dados do voluntário, entre eles, o
Cadastro de Pessoa Física (CPF). Esse sistema, ao identificar concordâncias com
outros voluntários, trava e o pesquisador não consegue cadastrar esse sujeito.
Não podendo cadastrar, ele não pode participar da pesquisa”, explica.
Outra novidade é que o voluntário, a partir de agora,
precisará aguardar seis meses para participar de nova pesquisa. Além disso, o
cadastro será permanente. Segundo a Anvisa, com isso é possível saber para
quais instituições cada um dos voluntários é direcionado e a que tipo de
medicamentos está submetido.
Mello explica que, até então, as próprias empresas ou
laboratórios recrutavam voluntários por meio de um critério bioético – o
sujeito precisava apenas assinar um termo de consentimento regulamentado pelo
Conselho Nacional de Ética e Pesquisa (Conep). Ele destaca, entretanto, que os
voluntários nem sempre revelavam o fato de já estarem envolvidos em outros estudos.
“O que percebemos é que muitos indivíduos participavam de
pesquisas simultaneamente, levando para eles o risco de se submeterem a dois,
três ou quatro produtos diferentes em um espaço de tempo muito pequeno e
podendo, inclusive, prejudicar o andamento da pesquisa”, afirma.
O diretor-presidente diz ainda que a participação simultânea
de indivíduos em pesquisas, ao longo dos últimos anos, pode ter comprometido
alguns resultados e provocado a reprovação de alguns medicamentos.
“Podem ter ocorrido pesquisas que foram rejeitadas porque os
dados foram prejudicados pelo uso concomitante de vários produtos. Essa
resolução, bem como a que normatiza a pesquisa clínica no Brasil, provavelmente
vão alavancar o país para um patamar equiparável ao de países de primeiro mundo
no tocante das possibilidades e do controle da pesquisa clínica”, defende.
Outra problemática que, segundo a Anvisa, deve ser amenizada
por meio do cadastro é a remuneração aos voluntários, proibida pela legislação
brasileira. A participação, de acordo com Mello, precisa ser voluntária, mas
ele admite que o controle acerca dos pagamentos ilegais é uma tarefa “difícil”.
“Quando se percebe a remuneração, o instituto que faz a
pesquisa diz que aquilo não é um pagamento, mas um ressarcimento. Eles encontram
subterfúgio para dizer que não é uma remuneração, mas uma ajuda de custo por
conta dos afazeres que a pessoa têm e teve que abrir mão”, explica.
Segundo dados da Anvisa, 28 centros realizam estudos de
biodisponibilidade e bioequivalência no Brasil – 18 deles apenas no estado de
São Paulo. A estimativa é de que mais de 7 mil pessoas tenham participado de
pesquisas em 2006. Em 2007, o número subiu para 9 mil voluntários. As pesquisas
são requisitos para o registro de medicamentos genéricos e similares e comprovam
a eficácia, a qualidade e a segurança dos produtos que serão disponibilizados
ao consumidor.
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