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Brasília - O
Ministério Público Federal vai realizar uma pesquisa nas Forças Armadas
para saber como ocorre a discriminação contra homossexuais nos
processos criminais e nos inquéritos de processo penal militar. A
afirmação é do procurador da República e membro do Grupo de Direitos
Sexuais e Reprodutivos, da Procuradoria Federal dos Direitos do
Cidadão, Sérgio Suiama.
Em
entrevista à Agência Brasil, o procurador disse que o objetivo desse
levantamento é que os dados coletados possam "amparar uma ação
concreta do MPF no que diz respeito à discriminação nas Forças
Armadas". Entre essas possíveis ações, estão medidas de compensação,
ações afirmativas e medidas de educação para a diversidade sexual
dentro das Forças Armadas.
Uma das
hipóteses levantadas pelo Ministério Público, de acordo com Suiama, é de
que há uma aplicação errada do Código Penal Militar, no que diz
respeito ao crime de pederastia, previsto no código. "O nome do crime é
um nome discriminatório, mas o crime em si não é, porque ele não
discrimina homem ou mulher, fazer sexo no Exército é crime".
No
entanto, segundo ele, há discriminação quando o assunto é punir quem comete o crime
de manter relações sexuais dentro do quartel. "Quando há uma relação
sexual entre um homem e uma mulher dentro do quartel, esse fato é
tratado como bagatela, como uma coisa de menor potencial ofensivo,
agora, quando são dois homens que são flagrados no quartel fazendo
sexo, isso é um crime realmente grave, a ponto de justificar uma
punição maior", ressaltou.
O
procurador disse que a ação não está diretamente ligada com o caso do
sargento do Exército que foi preso por deserção esta semana, poucos dias depois de
ter concedido entrevista assumindo a homossexualidade.
Mesmo
assim, Suiama afirmou que o caso está sendo acompanhado pela
Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, no Distrito Federal.
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