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8 de Junho de 2008 - 16h38 - Última modificação em 8 de Junho de 2008 - 16h45


Brasil precisa de programas inovadores para manter desigualdade em queda, diz Ipea

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Nos últimos anos, o Brasil atingiu um ritmo acelerado de redução da desigualdade social, mas precisará de alternativas para manter o processo em níveis que lhe permita chegar, nas próximas décadas, ao patamar dos países mais igualitários do mundo. Essa foi a conclusão de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que fez avaliações comparativas entre a experiência brasileira e a de outros países que conseguiram sucesso na redução da desigualdade.

Os dados mostraram que o atual ritmo de queda da desigualdade no Brasil, de 0,7 ponto de Gini [ parâmetro internacional que mede a desigualdade social entre uma população], é até superior ao registrado em países desenvolvidos. Suécia e Holanda, por exemplo, mantêm reduções respectivamente de 0,5 e 0,2 ponto de Gini, mas, em ambos os países, o esforço distributivo foi mantido por mais de 30 anos.

“Vários mecanismos que permitiram essa queda acelerada da desigualdade no Brasil estão próximos de serem exauridos. O Bolsa Família, que foi uma das vedetes, já cobriu essencialmente quem ia cobrir, ou seja, o grosso da contribuição que podia dar, já deu. O salário mínimo dobrou nos últimos 10 anos e se dobrar nos próximos 10, não vai ter o mesmo efeito. Então nós vamos ter de buscar outras formas de manter a desigualdade em queda para se poder chegar a um país mais justo em algumas décadas”, afirmou em entrevista à Agência Brasil o pesquisador do Ipea Sergei Suarez.

Segundo o pesquisador, a meta brasileira deve levar em conta a situação em países com características semelhantes: grandes, federativos e com fortes divisões étnicas. Estados Unidos, México e Canadá são alguns exemplos.

“A Dinamarca é um país cujo nível de desigualdade nunca vamos atingir, um país pequeno, que não é federativo, de população homogênea. Já o Canadá, onde há um estado relevante de bem-estar social, não é inatingível. É uma meta muito difícil, mas possível de se atingir numa geração”, afirma.

E acrescenta: “O México é um dos países mais igualitários do mundo e se mantivermos o ritmo por mais 5 anos, conseguiremos chegar ao nível deles. A diferença é que o México rural é muito mais justo que o Brasil rural, porque, há 110 anos, [eles] fizeram uma grande reforma agrária, e nós ainda não fizemos”.

As soluções apontadas pelo pesquisador para que o Brasil mantenha a busca por justiça social em ritmo intenso passam pelo fortalecimento de políticas de combate à desigualdade regional e racial, adequações da estrutura tributária e investimento maciço na educação. A previsão do estudo é que, caso se conseguisse repetir os últimos cinco anos, o Brasil chegaria em 2.030 ao nível de desigualdade do Canadá.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome foi procurado pela reportagem para comentar as projeções do estudo e informar as perspectivas futuras de programas atuais, como o Bolsa Família. A assessoria de imprensa disse que a secretaria competente para conceder entrevista sobre o assunto não poderia se manifestar sem analisar detalhadamente o documento do Ipea.



 


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