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Brasília - Nos últimos anos, o Brasil atingiu um ritmo acelerado de
redução da desigualdade social, mas precisará de alternativas para manter o
processo em níveis que lhe permita chegar, nas próximas décadas, ao patamar dos
países mais igualitários do mundo. Essa foi a conclusão de um estudo do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que fez avaliações
comparativas entre a experiência brasileira e a de outros países que
conseguiram sucesso na redução da desigualdade.
Os dados mostraram que o atual ritmo de queda da desigualdade
no Brasil, de 0,7 ponto de Gini [ parâmetro internacional que mede a
desigualdade social entre uma população], é até superior ao registrado em
países desenvolvidos. Suécia e Holanda, por exemplo, mantêm reduções
respectivamente de 0,5 e 0,2 ponto de Gini, mas, em ambos os países, o esforço
distributivo foi mantido por mais de 30 anos.
“Vários mecanismos que permitiram essa queda acelerada da
desigualdade no Brasil estão próximos de serem exauridos. O Bolsa Família, que
foi uma das vedetes, já cobriu essencialmente quem ia cobrir, ou seja, o grosso
da contribuição que podia dar, já deu. O salário mínimo dobrou nos últimos 10
anos e se dobrar nos próximos 10, não vai ter o mesmo efeito. Então nós vamos
ter de buscar outras formas de manter a desigualdade em queda para se poder
chegar a um país mais justo em algumas décadas”, afirmou em entrevista à Agência
Brasil o pesquisador do Ipea Sergei Suarez.
Segundo o pesquisador, a meta brasileira deve levar em conta a
situação em países com características semelhantes: grandes, federativos e com
fortes divisões étnicas. Estados Unidos, México e Canadá são alguns exemplos.
“A Dinamarca é um país cujo nível de desigualdade nunca vamos
atingir, um país pequeno, que não é federativo, de população homogênea. Já o
Canadá, onde há um estado relevante de bem-estar social, não é inatingível. É
uma meta muito difícil, mas possível de se atingir numa geração”, afirma.
E acrescenta: “O México é um dos países mais igualitários do mundo e se
mantivermos o ritmo por mais 5 anos, conseguiremos chegar ao nível deles. A
diferença é que o México rural é muito mais justo que o Brasil rural, porque,
há 110 anos, [eles] fizeram uma grande reforma agrária, e nós ainda não
fizemos”.
As soluções apontadas pelo pesquisador para que o Brasil
mantenha a busca por justiça social em ritmo intenso passam pelo fortalecimento
de políticas de combate à desigualdade regional e racial, adequações da
estrutura tributária e investimento maciço na educação. A previsão do estudo é
que, caso se conseguisse repetir os últimos cinco anos, o Brasil chegaria em
2.030 ao nível de desigualdade do Canadá.
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome foi procurado pela
reportagem para comentar as projeções do estudo e informar as perspectivas
futuras de programas atuais, como o Bolsa Família. A assessoria de imprensa
disse que a secretaria competente para conceder entrevista sobre o assunto não
poderia se manifestar sem analisar detalhadamente o documento do Ipea.
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