|
Brasília - O novo ministro da
Previdência, o deputado federal José Pimentel (PT-PE),
confirmado ontem (5) pela Presidência da República,
assumirá o cargo na próxima semana com a proposta de
criar uma nova categoria de contribuintes para a Previdência
Social: o micro-empreendedor individual.
Essa categoria será
formada por feirantes, camelôs, sacoleiras, pipoqueiros, enfim,
trabalhadores que ainda se encontram na informalidade e que poderão
contribuir com R$ 50 mensais para a Previdência.
A proposta tramita na
Câmara dos Deputados e o novo ministro quer que ela seja
aprovada o mais rápido possível. Em entrevista à
Agência Brasil, Pimentel se colocou favorável à
ampliação da base de contribuintes da Previdência
e da incidência da contribuição sobre o
faturamento das empresas e não sobre a folha de pagamento.
Pimentel acredita que,
com o crescimento da economia e com a adoção dessas
medidas, a tendência é de queda cada vez maior do déficit previdenciário. O ministro
tomará posse na próxima quarta-feira, no Palácio
do Planalto.
Agência Brasil
- O senhor aceitou um desafio um pouco mais complicado, o de assumir
um ministério cujo déficit atingiu R$ 2,7 bilhões
em abril. O senhor já pensou em soluções para
diminuir esse déficit?
José Pimentel
- De 2003 pra cá, a realidade é outra. Com a reforma da
Previdência, o déficit é decrescente, está
reduzindo ano a ano. Nós criamos uma previdência pública
básica, com regras únicas para o trabalhador celetista
e para o servidor público. Temos um piso de um salário
mínimo e um teto que, hoje, soma R$ 3.038,00. Resultado: temos
hoje 35 milhões de contribuintes. Em 2003, tínhamos
apenas 27 milhões de contribuintes.
ABr - O que fez
o número de contribuintes aumentar?
Pimentel - Isso
se dá em face de dois grandes motivos. Um é o
crescimento da economia, que insere mais trabalhadores com carteira
assinada. O outro motivo é a Lei Geral das Micro e Pequenas
Empresas. Em junho de 2007, nós tínhamos 1,3 milhão
de empresas formais. Agora, em abril de 2008, temos 3 milhões
de empresas. Por isso, nesse período, nós aumentamos em
8 milhões os contribuintes da Previdência. Os
indicadores de nossa economia são muito sólidos. Por
isso, a Previdência, nos quatro primeiros meses de 2008,
arrecadou R$ 2,5 milhões a mais que o mesmo período de
2007.
ABr - O que o
senhor pretende fazer para ampliar mais essa base?
Pimentel - Vamos
fazer a segunda grande mudança no Simples federal, criando o
micro-empreendedor individual. A proposta já foi aprovada na
Comissão de Finanças da Câmara e está
prontinha para ser votada em Plenário com urgência.
Queremos trazer mais 4 milhões de contribuintes para a
Previdência que são os feirantes, camelôs,
sacoleiras, pipoqueiros, borracheiros. Eles terão uma
contribuição de R$ 50 por mês para a previdência
pública e serão isentos de pagar todos os outros
impostos do Simples.
ABr - A reforma
tributária prevê uma desoneração gradativa
de 6% na folha patronal, ao longo de seis anos, medida que causou uma
posição de alerta ao ex-ministro Luiz Marinho, que se
preocupou com o aumento do déficit. Até agora, o
governo não indicou de onde vai tirar recursos para cobrir
essa defasagem. Qual sua opinião em relação a
essa medida?
Pimentel - O
Simples nacional instituiu zero de contribuição
patronal para o INSS [Instituto
Nacional do Seguro Social], beneficiando 98% de todas as
empresas comerciais e industriais, além de zerar também
a contribuição patronal sobre a folha de pegamento de
75% das empresas de serviços. Nós, hoje, temos 3
milhões de empresas formais que têm zero de
contribuição. Transferimos a contribuição
da folha para o faturamento.
ABr - O senhor
atendeu ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para
assumir o ministério e cedeu às exigências de
ficar até o final de 2010. Isso o impede de disputar as
eleições. O senhor abriu mão da reeleição?
Pimentel -
Mandato de deputado federal ou de senador é um serviço
público temporário. Nosso papel é servir bem à
sociedade e ao Brasil. Estou indo para uma nova tarefa e vou
continuar servindo bem à sociedade e ao Brasil. Aqueles que
acham que mandato é um emprego terminam parando na Polícia
Federal. Não faço parte desse grupo.
ABr - O senhor
foi relator da reforma da Previdência, aprovada em 2003. No
entanto, os problemas de gestão continuam. O que o senhor
pretende fazer para melhorar a gestão da Previdência?
Pimentel - Na
reforma da Previdência, lá em 2003, fizemos uma série
recomendações. Algumas já estão sendo
implantadas. A primeira é a humanização no
Sistema de Atendimento ao Beneficiário. Até 2003,
levava-se, em média, 120 dias para se fazer uma perícia
médica. O presidente Lula determinou a realização
de um concurso público, peritos foram contratados e, hoje, o
prazo médio no Brasil é de cinco dias.
Aqui, no Ceará,
existem postos para os quais você telefona hoje e é
atendido no outro dia. Você marca a perícia por
telefone, com hora certa e dia determinado. Tínhamos ainda um
represamento de processos de aposentadoria. Esse item também
já reduziu bastante. Temos também uma pendência
muito grande para resolver ações em tramitação
na Justiça especializada. É bom registrar que, em 2008,
o ministro Marinho fez a primeira grande composição com
o Tribunal Federal da 3ª Região, dando baixa em mais de
40 mil processos, numa grande reconciliação que
pretendemos dar continuidade. Além disso, temos que valorizar
o servidor público da Previdência através da
capacitação e da melhoria salarial. Esse item também
precisa de continuidade.
|