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Brasília - A cirurgia de mudança de sexo é tecnicamente simples, mas se torna uma intervenção complexa por causa das questões emociais, legais e sociais que envolve. Essa é a opinião da cirurgiã plástica Talita Franco, uma das responsáveis por esse tipo de intervenção cirúrgica realizada desde 2002 no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela ressalta a importância
do processo de avaliação que antecede a cirurgia já que esse
procedimento garante que a intervenção só seja realizada nos
casos em que o indivíduo esteja preparado e tenha um estrutura
psíquica identificada com o sexo oposto, já que a mudança é
irreversível. “Todo o procedimento definitivo e
radical como esse tem que ser muito bem avaliado e bem indicado pois
uma das coisas que estamos fazendo é a retirada de um órgão sadio. Para
que isso se justifique é preciso que a parte estrutural da mente da
pessoa peça isso e não por uma fantasia, uma necessidade de momento, ou
por achar que uma cirurgia vai resolver uma tendência afetivo-sexual
diferente”, alertou. De acordo com a médica,
nos últimos seis anos, oito cirurgias para mudança de sexo foram
realizadas pela equipe composta por cirurgiões plásticos e urologistas.
Pelo menos o dobro dessa quantidade de pessoas começou o processo de
avaliação mas não chegou à cirurgia por desistência do próprio
interessado ou por ele ter sido considerado inapto pela equipe. Hoje,
dez pessoas que já passaram pelo período de avaliação de dois anos
aguardam para fazer o procedimento cirúrgico. Segundo Talita, as
cirurgias são realizadas de acordo com as possibilidades do hospital
levando em conta prioridades de tratamento em outras áreas. Para
a cirurgiã, o anúncio do ministro da Saúde, José Gomes Temporão - que na
última quinta-feira (5) garantiu que assinará até o fim do mês uma portaria que vai permitir a
realização de cirurgia de mudança de sexo pelo
Sistema Único de Saúde (SUS) - não traz nenhuma novidade na prática, uma vez que
os procedimentos já são feitos normalmente no hospital e pagos pelo
SUS.
Entretanto, ela se mostrou preocupada com o efeito de informações
superficiais para o grande público. Ela teme que o anúncio provoque uma
grande procura pelo serviço e gere demandas que não podem ser
atendidas, principalmente, por causa da atual falta de recursos nos
hopitais universitários.
“Acontece isso freqüentemente: o
governo joga uma responsabilidade dessa mas não dá a contra-partida. É
obrigatório fazer tal ou qual atendimento. O paciente chega no hospital
com o jornal na mão querendo o serviço, mas onde está a verba a mais
para realizá-lo?”, questiona. Talita estima que o
custo da cirurgia de mudança de sexo seja o equivalente ao de uma
cirurgia de próstata ou uma mamoplastia, embora o processo todo demore
muito mais tempo e envolva uma série de outros procedimentos e
avaliações no período que a antecede. Em entrevista à Agência Brasil, a diretora do
Departamento de Apoio à Gestão Participativa do Ministério da Saúde,
Ana Maria Costa, afirmou que as cirurgias para mudança de sexo custeadas pelo SUS serão realizadas em cinco hospitais universitários do país, um em
cada região brasileira.
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