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Brasília - Cerca de 200 representantes de comunidades quilombolas de Goiás
participam neste fim de semana de um encontro na comunidade
remanescente de Pombal, em Santa Rita do Novo Destino (GO), a cerca de
300 quilômetros de Brasília.
O encontro, intitulado “Passado, Presente e Futuro da Comunidade do
Quilombo de Pombal”, busca resgatar a história dos quilombolas, trocar
experiências entre famílias e definir projetos para o futuro. Na noite ontem (7) foi apresentado na comunidade o documentário Por um fio,
produzido pela TV NBR, que mostra os desafios enfrentados pelos
quilombolas de Pombal.
A secretária de Promoção da Igualdade Racial do município de Santa
Rita do Novo Destino, Nailde Rodrigues, conta que a comunidade espera a
titulação coletiva da terra, investimentos para a construção de uma
fábrica de farinha e recursos para incentivar a produção artesanal,
baseada na tecelagem.
“O objetivo desse encontro é fortalecer a comunidade e a comunidade
entorno que é a origem do Pombal e ter um desdobramento de projetos, de
objetivos de vida, que a comunidade se fortaleça para cobrar os
direitos", destaca Nailde, que também faz parte da comunidade
quilombola de Pombal.
A secretaria que ela dirige foi criada há dois meses, a partir da
reivindicação da comunidade, e conta com o apoio das secretarias
estadual e federal de promoção da igualdade racial.
Um dos desafios dos quilombolas de Pombal será buscar recursos para
a construção de um posto de saúde. A área de educação também enfrenta
dificuldades. Três escolas chegaram a ser construídas nos últimos anos
na comunidade, mas estão desativadas por falta de professores e
investimentos.
A falta de escola e trabalho tem levado muitos jovens a sair da
comunidade, que conta com 300 famílias só no município de Santa Rita do
Novo Destino e outras 400 famílias espalhadas pelo estado.
Os quilombolas de Goiás vieram para a região escravizados, para
trabalhar na mineração. Após a abolição e o fim do ciclo do ouro, eles
permaneceram no estado, a maior parte escondidos em áreas rurais.
Estima-se que existam 150 comunidades quilombolas em Goiás, mas
menos de 20 já foram certificadas pela Fundação Palmares e menos de 10
contam com o título de terra, concedido pelo Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra).
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