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Elza Fiuza/ABr
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Brasília - Edith Modesto, coordenadora nacional do Grupo de Pais de Homossexuais, durante a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT)
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Brasília - Mãe de um rapaz homossexual Edith Modesto
admite: “Eu não conseguia aceitar meu filho”. As angústias
e dúvidas iniciais, entretanto, acabaram se transformando em
uma iniciativa que já dura 15 anos: o Grupo de Pais
de Homossexuais (GPH).
Edith diz que o intuito é fazer com que o
grupo seja um espaço para que mães e pais possam
discutir e conversar com outras pessoas que enfrentam a mesma
situação. "São mães que ainda não
aceitam os seus filhos, nós nos identificamos umas com as
outras, a gente desabafa, troca idéias, estuda o assunto",
conta Edith.
"São mães que estão
desesperadas porque têm filhos homossexuais, mães que
falam em suicídio, que ficam muito doentes, que não têm
mais vontade de comer, têm somatização desse
sofrimento", completa.
Edith descobriu a homossexualidade do filho quando
ele completou 20 anos. Ela diz que começou a desconfiar que
“alguma coisa não estava certa” e resolveu questioná-lo
a respeito de mulheres, já que nunca tinha visto uma namorada.
A resposta veio em forma de choro. Segundo ela, um dos momentos mais
difíceis de sua vida. "Foi muito difícil, eu fiz
terapia, ele fez terapia, foi um caminho muito difícil",
conta.
Para Edith, o preconceito é um dos fatores
que mais contribui para que as pessoas não estejam preparadas
para aceitar filhos que não sejam heterossexuais. Segundo ela,
uma das principais dificuldades no processo de aceitação
é a vergonha de encarar vizinhos, familiares e saber que
haverá comentários sobre o assunto.
"A vergonha acompanha o
processo de aceitação do começo ao fim, a última
coisa que termina é a vergonha", diz.
Para ela, o caso das mães é muito
peculiar porque é um sofrimento ligado ao lado passional e
não ao racional. Por esse motivo, segundo Edith, mesmo que se
aceite que a homossexualidade é uma coisa natural, uma
condição humana, não será tão fácil que uma mãe aceite a situação do filho ou da
filha.
"Entra tudo aquilo, os meus sonhos, do
casamento da minha filha, que ia entrar com o pai de braço
dado, vestida de branco, o meu filho, que eu ia ter uma nora, ia ter
netinhos, com nome do avô".
Além do trabalho
feito com os pais para tentar amenizar o processo de
aceitação da homossexualidade ou transexualidade, ela
também cita o Projeto Purpurina realizado em São Paulo
e voltado para adolescentes que começam a descobrir suas
preferências sexuais.
"É uma coisa muito triste porque às
vezes o filho está sofrendo muito para se aceitar, e
precisaria do apoio da mãe, mas ele não tem esse apoio,
porque a mãe está precisando de apoio".
A
falta de ajuda em casa praticamente impossibilita uma defesa
sustentável contra a discriminação na rua, seja
na escola, na igreja ou no trabalho. Edith revela que, por causa da
pressão que sofrem, mais de 10% dos assistidos pelo Projeto
Purpurina já tentaram o suicídio.
Para tentar difundir mais informações
para os pais de homossexuais, a escritora Flávia Schüler
lançou durante a 1ª Conferência Nacional de Gays,
Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, que termina
hoje (8) em Brasília, o livro “Me aceite”. A publicação
trata da homoafetividade na infância.
O propósito do livro é orientar os
pais e professores a reconhecer os sinais de homoafetividade, "no
sentido de começar a orientar essa pessoinha para que venha a
ser um cidadão bem construído e não esse
resultado que nós temos tido aqui hoje de pessoas que tenham
que se submeter a tantas coisas dolorosas, para que possa valer esse
movimento".
Do livro também está nascendo um
centro de apoio e orientação para pais, descrito no
livro ainda como ficção, mas que está sendo
tirado do papel. "Já estou com o projeto em fase de
finalização", conta.
A idéia do projeto é evitar
problemas psicológicos nas crianças, a partir do
momento em que elas sejam e se sintam respeitadas pelos seus
familiares e por outras pessoas que convivem com elas. "Esses
indivíduos, bem canalizados, só vão contribuir
para a sociedade, para o progresso na nação, para o
mundo. O que a sociedade está fazendo é pisotear em
cima dessas pessoas", conclui.
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