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8 de Junho de 2008 - 14h07 -
Última modificação
em 8 de Junho de 2008 - 14h19
Grupo homossexual e negro pede segurança, saúde e educação
Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiuza/ABr
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Brasília - Negra Cris, da Rede Afro LGBT de Salvador (BA), participa da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT)
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Brasília - Segurança, saúde e educação. Esses são os três eixos prioritários das
reivindicações do grupo homossexual e negro. É o que afirma a integrante da
Rede Afro LGBT, de Salvador, Negra Cris, que participa da comissão organizadora
da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e
Transexuais, que termina hoje (8), em Brasília.
As reivindicações não são muito diferentes daquelas que são feitas por
outros segmentos homossexuais ou outros segmentos negros. No entanto, elas
pensam a marginalização com as duas causas combinadas. "Ser negro e negra
e homossexual é sofrer uma dupla discriminação, pelo fato da questão racial e
de discriminação sexual", diz.
No que diz respeito à segurança, Negra Cris ressalta duas formas de
violência que o negro ou negra homossexual sofre. Uma é contra os jovens,
"principalmente por parte da polícia. E quando o jovem é transsexual ou
travesti, essa violência aumenta". A outra forma que, segundo ela, precisa
de ações específicas para ser combatida é a violência contra aquelas pessoas
que são profissionais do sexo.
Na pauta do movimento, junto com o combate à violência anda a educação. A
ativista lembra que existe uma necessidade de se implantar medidas para que as
pessoas se conscientizem de que todos são iguais e não devem ser
marginalizados, seja pela cor da pele, seja pela orientação sexual ou pela
identidade de gênero.
"[Nós queremos] que seja implementada uma lei que garanta, desde
a educação infantil, a discussão em torno da educação sexual e identidade de
gênero, e que ela possa trazer combinada a questão da diversidade racial
também", afirma Negra Cris.
O terceiro ponto prioritário de reivindicação, a saúde, tem a ver com a
capacitação e a conscientização dos profissionais em saúde, especialmente no
Sistema Único de Saúde (SUS), para atender o público homossexual. De acordo com
Negra Cris, a maior parte das lésbicas acaba utilizando o serviço prestado pelo
SUS."E não temos um atendimento muitas vezes humanizado quando vamos ao
ginecologista, porque a maioria dos profissionais da saúde têm uma maneira
heteronormativa [ligada a normas de comportamento heterossexual] para
tratar dessa mulher", destaca.
Ela diz que os médicos, enfermeiras e atendentes não estão preparados para
entender as especificidades de uma paciente que não tem relações com um homem.
Negra Cris também destaca que a questão não é querer um tratamento
diferenciado, especial."Não é um tratamento específico por ser lésbica,
mas humanizado, quando eu disser a ele que eu tenho relações com uma outra mulher",
conclui.
A Rede Afro LGBT é um grupo formado por pessoas de
todo o país, que tem suas ações de discussão feitas principalmente via internet.
Segundo Negra Cris, é mais um espaço de formação, além de discutir
reivindicações, pois não há ainda dados que especifiquem características do
público homossexual e negro. A ação da Rede se dá, de acordo com ela,
principalmente pela representação em espaços de debate, como a organização da
conferência, e uma representação dentro da Organização dos Estados Americanos
(OEA).
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