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Rio de Janeiro - As empresas
brasileiras precisam proteger suas marcas para evitar ser alvo de
pirataria no exterior. O alerta foi dado hoje (9) pelo presidente do
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Jorge Ávila.
Segundo ele, no Brasil, ainda é pequena a
consciência de que é preciso proteger as marcas do uso
por terceiros.
“Você faz um
investimento para tornar sua marca, sua grife, conhecida. E, quando
cresce, ganha um pouco mais de musculatura, e começa a querer
exportar, descobre que alguém registrou o nome de sua marca em
um país para o qual você quer exportar”, disse Ávila,
em entrevista à Agência Brasil.
O resultado é que o empresário acaba
sendo obrigado a fazer algum tipo de acordo ou entrar numa briga
judicial longa, que representa gasto de recursos, explicou. É
por isso que os empresários devem saber como funciona o
sistema de marcas no Brasil e no resto do mundo. Tal procedimento vale também para o
registro de desenhos industriais, “porque há várias
formas de fazer negócio que não são
necessariamente exportar o artigo físico”. O licenciamento
da marca ou do design se insere nesse campo, acrescentou.
Vinculado ao Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o INPI
participa do Fashion Business, bolsa de negócios realizada
paralelamente ao Fashion Rio. O evento é promovido pela
Federação das Indústrias do Estado do Rio de
Janeiro (Firjan) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio à
Micro e Pequena Empresa (Sebrae).
Sem o registro da marca, fica
difícil as empresas provarem que determinada criação
é sua. Um exemplo de marca brasileira pirateada é a
confecção de moda-praia Salinas, que, de acordo com a
assessoria de imprensa do INPI, ao tentar exportar para o México
e a Coréia do Sul, descobriu que estava sendo usada nos dois
países. A operação para anulação
dos registros piratas custou à Salinas cerca de US$ 40 mil.
A marca de calçados Jimmy
Choo, que se tornou conhecida em todo o mundo em um seriado
de televisão, entretanto, conseguiu se proteger de copiadores
usando o sistema de propriedade industrial em vários
países, inclusive o Brasil, informou a assessoria.
Os dados disponíveis mostram
que em 2006 foram depositadas 94.660 marcas no INPI, englobando
também depósitos de empresas estrangeiras, contra 327 pedidos de
marcas brasileiras no exterior. Ávila disse que os brasileiros
não têm a cultura de proteger suas marcas no exterior, o
que atribuiu à falta de informação. Na
Argentina, foram feitos 802 depósitos de marcas brasileiras
naquele ano. Na China, foram 73.
Registrar uma marca no Inpi custa menos que R$
500, e pequenas empresas têm desconto. No exterior, o custo é
mais alto e varia de país para país, mas um escritório
de advocacia especializado em propriedade intelectual pode ajudar no
processo. Para registrar apenas uma marca, a internet é
uma boa ferramenta, na qual se economizam custos de deslocamento.
Ávila considera importante o registro no exterior, para marcas
que buscam mercados como Estados Unidos e União Européia.
“Ter uma marca protegida nesses mercados vale muito dinheiro.”
Ele disse que, tão logo o
governo do Brasil assine a adesão ao sistema internacional de
registro de marcas, conhecido como Protocolo de Madri, ficará
mais fácil o depósito de marcas de empresas nacionais
em outros países, especialmente das pequenas e médias.
Até lá, porém, as empresas devem registrar suas
marcas em cada mercado para o qual desejem comercializar produtos.
De acordo com o INPI, será
mais fácil monitorar os pedidos de marca em uma única
base do que em vários países diferentes. Ele ressaltou,
entretanto, que nenhum brasileiro deve deixar de proteger a sua marca
enquanto o país não adere ao Protocolo de Madri. “Dá
um pouco mais de trabalho, mas proteja, porque você pode ter um
prejuízo muito grande se não o fizer”, recomendou
Jorge Ávila.
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