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Brasília - A reportagem da Rádio
Nacional, em Brasília, constatou o que os motoristas da cidade
tanto reclamam: os preços dos combustíveis na região
central do Plano Piloto quando não estão iguais têm
diferença de apenas um centavo.
Na manhã desta
segunda-feira (9) foram percorridos 49 postos nas quadras 100, 200 e
300 das Asas Sul e Norte, além de dois no Setor de Indústrias
Gráficas (SIG) e dois no setor Sudoeste, totalizando 53
estabelecimentos. Em 30 deles, ou seja, 57%, o preço era
exatamente o mesmo: R$ 2,59 para a gasolina, R$ 1,89 para o álcool
e R$ 2,05 para o diesel.
No restante dos postos, a diferença
para esses preços é de apenas um centavo, para cima ou
para baixo. Os únicos postos que fogem dessa regra são
dois do Eixinho Norte, que cobram R$ 2,56 pelo litro de gasolina.
A
pesquisa mostrou que 96,22% dos postos visitados vendem combustíveis
por preços que variam apenas um centavo entre si, o que leva
muitos motoristas a acreditarem que os empresários concordam
os valores entre si.
“Esse posto é o que tem preço
mais diferenciado. Tem um preço à vista e um a prazo.
No resto dos postos está tudo igual”, reclama a estudante
Maíra da Silva, que abastecia em um estabelecimento da Quadra
207 Norte.
O preço de R$ 2,59 para o litro da gasolina é
praticado em 38 dos 53 postos visitados. Outros 31 cobram R$ 1,89
pelo álcool e R$ 2,05 pelo diesel.
“A diferença
de preços é pequena, pelo menos aqui no final da Asa
Norte, onde eu moro. Mas varia muito conforme o período. Teve
uma época em que os preços baixaram para R$ 2,10 e uma
semana depois subiu para R$ 2,50. Todo mundo [donos de postos] abaixa
e sobe o preço ao mesmo tempo”, disse o militar Paulo César
Souza, morador da 515 Norte, que afirma desconfiar da existência
de cartel no setor em Brasília.
Segundo a Lei 8.884, de
1994, o cartel existe quando concorrentes combinam entre si, “de
alguma forma, preços e condições de venda de
bens ou de prestação de serviços”.
O
presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis
(Sinpetro), José Carlos Ulhôa, descarta essa
possibilidade. Ele justifica os valores parecidos em quase todos os
postos “pela tomada de preços”, pois os empresários
estariam temendo uma queda brusca nos lucros.
“O que temos é
a concorrência do mercado. Se eu sou um dono de posto e o meu
vizinho cobra um preço, é claro que eu vou acompanhar
para não ficar para trás”, argumentou Ulhôa.
O
Procon-DF, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que a
responsabilidade de investigar supostos casos de cartel é do
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e que só
pode atuar caso haja alguma denúncia de consumidor que se
sente lesado por uma suposta falta de concorrência entre os
estabelecimentos.
Em 2004 e 2005, a Câmara Legislativa do
Distrito Federal investigou a existência de um cartel dos
postos de combustíveis no Distrito Federal. Apesar das
denúncias, nada ficou provado.
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