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10 de Junho de 2008 - 20h35 - Última modificação em 10 de Junho de 2008 - 20h43


Oposição no Senado quer ouvir Roberto Teixeira sobre compra da Varig e VarigLog

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O advogado Roberto Teixeira é o alvo das investigações que o PSDB e o DEM querem realizar no Senado sobre a venda das empresas Varig e VarigLog. Teixeira representou juridicamente o fundo de pensão americano Matlyn Patterson, que adquiriu as duas companhias em sociedade com três empresários brasileiros.

A oposição quer analisar, agora, a consistência das informações e, possivelmente, documentos que a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu possa apresentar, amanhã (11), na reunião da Comissão de Infra-Estrutura do Senado. "O mais sensato é ouvir, primeiro, a Denise Abreu [para ver a documentação que ela vai trazer], porque Roberto Teixeira é que é o centro desta questão", afirmou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Denise Abreu acusa a Casa Civil da Presidência da República de ingerência no processo de autorização da Anac na venda da Varig e da VarigLog, para beneficiar o fundo de pensão americano. Além da ministra Dilma Rousseff, a ex-diretora também cita Roberto Teixeira, entre as pessoas que teriam praticado esta suposta ingerência.

O líder do DEM, senador Agripino Maia (RN), vai pelo mesmo caminho do colega tucano. Para ele, o conteúdo do depoimento de Denise Abreu será fundamental para o andamento das investigações. "Vamos analisar o que ela vai apresentar e ver quais são os argumentos da base do governo, para se contrapor ao que for colocado".

Agripino ressaltou que o advogado Roberto Teixeira, a ministra Dilma Rousseff e o próprio presidente Lula "serão consequência do que Denise Abreu possa produzir de evidências" a respeito de possíveis irregularidades na venda da Varig e da VarigLog.

Já a base do governo adotará a postura de mostrar qual foi a participação efetiva do Executivo nesta transação comercial. A postura na comissão, de acordo com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), será de mostrar que todo o processo de transferência acionária foi respaldado pela Justiça.

"A idéia não é contradizer a Denise Abreu, mas mostrar o que o governo fez. Não houve ingerência [do Executivo]. Foi a Justiça quem conduziu todo o processo", disse o parlamentar.

Para Jucá, "há um aproveitamento eleitoral" pela oposição do episódio. Ele considera que as denúncias apresentadas por Denise Abreu resume-se a uma "posição pessoal dela".

Quanto à postura da oposição em focar o rumo das investigações no advogado Roberto Teixeira, o líder do governo disse que "a oposição tem que dizer quais foram as ações dele tomadas fora dos preceitos legais". E acrescentou: "Ele é advogado e trabalhou para o grupo [que adquiriu a Varig e a VarigLog]. Qual o problema? Até agora não apareceu nada que o comprometa", concluiu Jucá.


 


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