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13 de Junho de 2008 - 17h42 -
Última modificação
em 13 de Junho de 2008 - 17h42
Escolas sem adaptação para pessoas com deficiência são problema nacional, diz fórum
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiúza/ABr
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Brasília - Aluna da Escola Paulo Freire, Sula Albuquerque de Oliveira denuncia a falta de instalações adequadas para portadores de deficiência física
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Brasília - O Fórum
Permanente de Apoio e Defesa das Pessoas com Deficiência
(Faped) realizou hoje (13) uma blitz para
investigar denúncia feita por uma aluna do Centro
de Ensino Médio Paulo Freire, em Brasília.
Sula Albuquerque Silva, 18 anos, é estudante do 1º ano
do Ensino Médio. Deficiente, ela precisa de uma cadeira de rodas para se locomover. O único banheiro da escola – além de não
ser corretamente adaptado para deficientes físicos – está
interditado há dias. Sula é obrigada a usar fraldas
descartáveis para poder freqüentar as aulas.
“O banheiro e o piso da escola são irregulares, não
dá para me movimentar direito. Não posso andar sozinha
porque corro o risco de cair da cadeira”, diz a estudante.
Dados do Ministério da Educação (MEC) apontam
que 654.606 alunos com deficiência estão matriculados em
classes da rede regular de ensino. São consideradas inclusivas 55.217 escolas. Dessas, apenas 10.118 possuem
sanitários adaptados enquanto outras 7.378 contam com vias e
dependências adequadas para a locomoção.
Mesmo as escolas especializadas em atendimento para alunos com
deficiência – 6.978 em todo o país – não
estão todas adaptadas. Apenas 2.899 possuem sanitários
adequados e outras 2.516 têm dependências e vias
adequadas.
Michel Gomes Fernandes, representante do Faped e responsável
pela blitz, confirma as
informações da estudante. Após uma rápida
visita ao banheiro da escola, ele disse que o vaso
sanitário direcionado aos alunos com deficiência é
o mesmo utilizado em banheiros comuns e, portanto, baixo
demais para ser usado por um cadeirante. Além disso, Fernandes
relatou que a pia é muito alta e que as barras – utilizadas
para dar apoio à pessoa com deficiência física –
estão mal posicionadas.
Ele explicou que, antigamente,
pessoas com deficiência eram direcionadas aos centros de ensino
especial mas que, com a atual política de inclusão de
alunos especiais na rede de ensino regular, as escolas públicas
precisam estar preparadas para atendê-los.
“É muito sério uma menina de 18 anos que não
precisa usar fralda descartável e que está usando
porque a escola não tem acessibilidade.”
Fernandes lembra que, apenas no Distrito Federal, as pessoas com
deficiência somam mais de 300 mil mas que poucas chegam a
freqüentar a escola. Ele alerta que o problema, apesar de
detectado na capital do país, tem amplitude nacional.
“Visitamos uma outra escola com uma escadaria enorme. As mães
e os pais tinham que pegar os meninos no colo, descer e depois voltar
para pegar a cadeira de rodas. Um total de 130 crianças. 'A
escola não foi feita para você' é o que é
repetido a todo mundo.”
Fernando
Cota, da Coordenadoria para Inclusão da Pessoa com Deficiência
– órgão da Secretaria de Justiça, Direitos
Humanos e Cidadania do Distrito Federal – acompanhou a realização
da blitz. Ele avalia a infra-estrutura da escola como “lamentável”
e diz que vai procurar a Secretaria de Educação para
informar a “necessidade urgente” de obras de adaptação.
O vice-diretor do Centro de Ensino Médio Paulo Freire,
Henrique Fernandes, informou que a escola está em
funcionamento desde 1971 mas que nunca passou por reformas. O
centro de ensino atende 36 alunos portadores de
necessidades especias. Cinco deles são deficientes físicos.
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