



|
Brasília - Uma das
propostas previstas no Plano Geral de Outorgas (PGO), que foi
colocado hoje (17) em consulta pública, poderá aumentar
o preço das tarifas de telefonia. O artigo 9º da proposta
diz que as empresas de telefonia fixa deverão explorar apenas
as modalidades deste serviço. Isso significa, na prática,
que as operadoras que quiserem oferecer os serviços de banda
larga e telefonia fixa deverão criar empresas separadas para
os dois fins.
De acordo
o gerente de competição da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), José Neto, o objetivo
da proposta é garantir a competição e possibilitar uma maior
transparência no acompanhamento das concessões. Mas,
segundo ele, isso poderá elevar os preços para o
consumidor.
“Há
alegações que dizem que, quando se separa pessoas
jurídicas, tem um aumento de custos na exploração.
Realmente, é verdade, quando separa as empresas, elas vão
precisar contratar elementos de rede uma da outra. Nesses contratos,
vão incidir tributos, como PIS, Cofins”, avalia.
Neto ressalta que os benefícios da medida também deverão
ser levados em conta na consulta pública. “Vamos ter que ver
as contribuições, avaliar o que é bom e o que é
ruim. Se nós avaliarmos que esse remédio tem mais
efeito colateral que cura, não vai ser adotado. Se, pelo
contrário, vemos que tem um pouco de efeito colateral, mas vai
ajudar muito, vai ser mantido”, afirma, lembrando que a proposta
não é definitiva.
A revisão
do PGO foi proposta para eliminar dispositivos ultrapassados e para
flexibilizar a possibilidade de aquisições entre as
empresas do setor. As mudanças foram necessárias para
permitir a fusão entre as empresas Brasil Telecom e Oi.
Segundo Neto, a proposta prevê mecanismos para que não
haja concentração no setor. “Não há
interesse da Anatel em criar monopólios”, adianta.
Para o
superintendente de Serviços Privados da agência, Jarbas
Valente, as alterações propostas no Plano Geral para
Atualização da Regulamentação no Brasil
(PGR), também anunciadas hoje (17), são fundamentais para
garantir a concorrência no setor. “Se não tivessem
sido feitas essas mudanças no PGR, o risco de concentração
seria muito grande. A mudança como um todo, a atualização
do marco regulatório é que garante isso”, diz.
|
|