Elza Fiúza/ABr
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Brasília - O ministro-chefe da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, o ministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na abertura da Conferência Mundial contra o Racismo
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Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (17) que uma verdadeira
democracia é “incompatível” com a discriminação.
Durante a abertura da Conferência Regional das Américas
para a revisão da 1ª Conferência Mundial contra o
Racismo, ele lembrou que o Brasil, durante muito tempo, negou a
existência do racismo.
“Acreditávamos
que éramos uma democracia racial. Hoje sabemos que isso não
é verdade.”
Amorim reforçou
que, em 2001 – durante a 1ª conferência mundial, em
Durban (África) –, diversos países assumiram o
compromisso de eliminar o racismo. Entretanto, segundo ele, a sociedade como um todo
continua a testemunhar os “flagelos” provocados pelo preconceito
contra negros, índios, mulheres e migrantes.
“Não se pode
falar em um sistema político democrático se milhões
de pessoas são privadas de seus benefícios e de suas
promessas.”
Para o ministro
da Secretaria Especial de Promoção de Políticas
de Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, os países
latino-americanos e da região do Caribe têm a obrigação
de oferecer caminhos para a superação da discriminação
racial, da xenofobia, da intolerância e da desigualdade.
Segundo ele, pelo menos
17 países já estabeleceram instâncias oficiais
responsáveis pela promoção e pela execução
de políticas públicas de igualdade racial mas, no caso
do Brasil, a adesão às recomendações de
Durban nem sempre é “pacífica”.
“As políticas
de cotas sociais para o ingresso nas universidades, a titulação
de terras quilombolas e outras ações afirmativas sofrem
constantes questionamentos na Justiça.”
Santos ressaltou que um
relatório recente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) indica que o país levaria 65 anos para
alcançar a igualdade econômica entre brancos e negros
utilizando apenas políticas públicas universais. “As
desigualdades são evidentes.”
Zulu Araújo,
presidente da Fundação Cultural Palmares – vinculada
ao Ministério da Cultura – acredita que o Brasil avançou
no combate à discriminação mas lembra que nem
todas as metas estabelecidas na 1ª conferência mundial
foram cumpridas.
“Ainda temos
problemas, por exemplo, na área religiosa. Tem aumentado a
intolerância às religiões de matriz africana e
isso tem trazido não apenas intranquilidade mas também
conflito. Outra área que
temos problema é a fundiária, de remanescentes de
quilombos. Setores conservadores resistem a qualquer medida
que signifique acesso à terra.”
A Conferência
Regional das Américas para a revisão da 1ª
Conferência Mundial contra o Racismo segue até
quinta-feira (19). Serão avaliados os avanços desde a
primeira conferência mundial – realizada em 2001 na cidade de
Durban, na África – e traçadas as metas regionais de
igualdade racial para os próximos anos.
A Conferência
de Revisão de Durban acontece em 2009, em Genebra. Vão
ser avaliados os progressos obtidos na implementação da
Declaração e do Plano de Ação de Durban,
além de identificadas e compartilhadas boas práticas no
combate ao racismo, à discriminação racial, à
xenofobia e a manifestações de intolerância.