



|
Brasília - O governo
pretende começar a implementar o Plano Amazônia
Sustentável (PAS) em microrregiões, que serão
definidas em parceria com os governos dos nove estados da Amazônia
Legal. A estratégia foi definida hoje (17) pela Comissão
Gestora do Plano, que reúne nove ministérios,
coordenados pelo ministro extraordinário de Assuntos
Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger.
Mais de
um mês após o lançamento oficial do PAS,
Mangabeira convocou os ministros da Defesa, do Meio Ambiente, de
Minas e Energia, do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura,
além de representantes da Casa Civil e dos ministérios
da Justiça e da Integração Nacional para
apresentar os sete eixos principais do plano e discutir a implementação
das medidas, que, segundo ele, pretendem “dar conteúdo à
tese do desenvolvimento sustentável”, que alia crescimento e
preservação.
“Se
nós tentarmos fazer tudo ao mesmo tempo em toda a Amazônia
é grande o perigo de não conseguirmos alcançar,
no tempo politicamente disponível, o grau de densidade das
iniciativas. Vamos selecionar algumas microrregiões, nas quais
procuraremos avançar e coordenar essas iniciativas do PAS numa
primeira etapa para surtir efeito transformador, numa função
sinalizadora”, detalhou Mangabeira Unger.
Segundo ele, houve consenso entre os ministros de que a maior
prioridade do PAS é a regularização fundiária
da Amazônia, o que pode, inclusive, demandar mudanças na
atual legislação que regulamenta a propriedade de
terra na região.
“Temos
que tirar a Amazônia do caldeirão de insegurança
jurídica em que se encontra. Para isso, muito provavelmente,
não bastarão apenas medidas administrativas, o reforço
do Incra [Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária] e das outras organizações
responsáveis, teremos também que simplificar as leis
para organizar uma trajetória acelerada da posse insegura para
a propriedade plena”, disse.
Apesar de
defender a “simplificação” da legislação
fundiária, Mangabeira Unger disse que, por enquanto, o governo não
pretende flexibilizar a área de reserva legal, que prevê
a manutenção de 80% da floresta em propriedades na
Amazônia. “Não estamos discutindo agora qualquer
ajuste na reservas, mas não não há nenhum
assunto para o futuro que seja tabu para discussão; é
essencial que não tenhamos medo das idéias”,
comentou.
Os
ministros também discutiram a implementação de
medidas de combate ao desmatamento, a necessidade de aperfeiçoar
o transporte na região amazônica – inclusive para
facilitar o escoamento da produção agrícola –
e a criação de mecanismos de pagamento por serviços
ambientais a pequenos agricultores e extrativistas para formar “um
cinturão verde de proteção da floresta”.
Mangabeira
evitou definir prazos para ações do PAS, mas afirmou
que “está aflito com a passagem de cada dia e cada hora”
para chegar aos resultados. Segundo o ministro, a Comissão
Gestora deverá se reunir novamente nas próximas
semanas, dessa vez com a participação dos governadores
da Amazônia.
|
|