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São Paulo - A leve queda no índice de inflação
registrada no último relatório do Índice de
Preços ao Consumidor (IPC), divulgado hoje (18) pela Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de São Paulo,
não significa que, em breve, a alta de preços
verificada nos últimos meses estará sob controle. A
afirmação foi feita pelo coordenador do IPC, Márcio
Nakane.
Para ele, a inflação só
deverá voltar aos patamares de 2005 e 2006 –“auge da
eficácia do sistema econômico do governo”, segundo ele
– a partir do segundo de semestre do ano que vem. “Podemos
comparar a inflação a um atleta”, disse Nakane, em
entrevista à Agência Brasil. “O atleta diminuiu
a velocidade de sua corrida, mas continua correndo.”
De acordo com a Fipe, em São Paulo, a
inflação foi de 1,26% na segunda quadrissemana de junho
(de 16 de maio a 15 de junho). O índice é pouco menor
do que o da quadrissemana anterior (de 8 de maio a 7 de junho), que
ficou em 1,30%. No entanto, é bem do que os resultados da
segunda quadrissemana de junho de 2005 e 2006: 0,07% e - 0,50% (0,50%
negativos), respectivamente.
Segundo Nakane, no curto prazo, a inflação
deve continuar caindo, mas não de forma acentuada. Para o
economista, só em 2009 serão sentidos os efeitos das
medidas tomadas pelo governo para conter a alta de preços –
desoneração de alguns produtos, aumento do superávit
primário e, principalmente, aumento da taxa básica de
juros. “Se não tivermos mais nenhuma surpresa, devemos
retomar os patamares de 2005 e 2006 ao longo de 2009, a partir do
segundo semestre."
“Concordo com a política restritiva
imposta pelo Banco Central”, disse o economista. Para ele, só
o aumento da Selic poderá pôr em equilíbrio a
demanda e a produção da economia nacional, e assim
conter a inflação.
Nakane ressaltou, entretanto, que não é
favorável às medidas tomadas pelo Ministério da
Fazenda. “Desonerar produtos não reduz consumo e, por isso,
não ajuda no longo prazo. Já o corte de gastos públicos
seria mais eficaz que o aumento do superávit primário.”
Quanto aos preços dos alimentos,
responsáveis pela alta dos índices de inflação
registrados nas últimas pesquisas e cujo índice de
aumento nesta quadrissemana chegou a 3,66%, Nakane afirmou que a
tendência é a mesma: pequena desaceleração
em curto prazo, mas inflação sob controle só em
2009.
“A expectativa é de desaceleração
do aumento, mas os preços, em geral, não cairão.
O valor de mercado dos alimentos atingiu um novo patamar e não
deve retomar níveis anteriores”, concluiu.
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