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Brasília - O governo decidiu
esperar as eleições para retomar, no Senado, a
discussão sobre a criação da Contribuição
Social para a Saúde (CSS), tributo que substituirá a
Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), extinta no final do ano passado. A decisão
foi tomada na reunião de líderes desta quarta-feira
(18).
De acordo com o líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o governo tem
interesse em discutir mais a matéria e por isso optou pelo
adiamento.
A proximidade com as
eleições foi o fator preponderante para o governo
recuar. A defesa da criação do novo imposto iria ao
mesmo tempo minar a imagem do governo e inflar os ânimos da
oposição, por isso Jucá admitiu que o contexto
pré-eleitoral influenciou na decisão.
“Não queremos
atrelar isso com eleição municipal. Pelo contrário,
queremos é desatrelar da eleição municipal.
Temos que ter a responsabilidade e o equilíbrio de discutir
essa matéria, que diz respeito a milhões de
brasileiros, com muita tranqüilidade, e construir uma solução
que dê mais recursos para a saúde”, argumentou.
Ao contrário do
que ocorreu na Câmara, a oposição e o governo
trocaram de lado na defesa da votação do projeto de lei
que cria a CSS.
Na Câmara, a
oposição optou por evitar, ou atrasar, ao máximo,
a votação. Apelou para manobras regimentais, obstruiu
as sessões, mas não conseguiu evitar a aprovação
da proposta. Já no Senado, com a perspectiva de vencer o
governo e derrubar a proposta, a oposição queria fazer
um esforço para votar a proposta ainda nesta semana.
Na reunião de
líderes, o governo conseguiu anular a ação da
oposição. O líder do governo, ironicamente,
comentou: “A oposição está com muita vontade
de votar rapidamente aumento de imposto. Nós não
estamos. Nós queremos discutir com tranqüilidade”.
De acordo com o senador
governista, o governo deverá ainda ponderar sobre a
viabilidade da criação do imposto.
“Temos que verificar,
inclusive, se é compatível essa proposta de aumento com
a reforma tributária; ouvir o ministro da Saúde, e com
tranqüilidade, votar no momento oportuno. Nós não
temos pressa nem de aprovar nem de rejeitar. Nós queremos
fazer tudo com tranqüilidade”, disse o líder.
A ironia foi retribuída
pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
“Se a bancada
governista tem tanto interesse nos recursos que essa contribuição
propiciará à saúde, por que adiar a decisão
do Senado para depois das eleições municipais?”,
questionou.
“Estou de queixo
caído. O governo falou o tempo inteiro que precisava de fonte
nova de financiamento para a saúde. E nós sempre
dizemos que não precisava. E agora o governo nos diz que não
quer votar essa tal CSS antes das eleições. O que é
que tem eleição a ver com a saúde? Literalmente,
nada”, declarou.
O senador José
Agripino (RN), líder do DEM no Senado disse que o partido
apoiará a proposta já defendida pelo presidente do
Senado, Garibaldi Alves, de aumentar a taxação de
cigarros, bebidas e automóveis de luxo e destinar os recursos
para a saúde.
Nas próximas
sessões, o Senado irá se dedicar à votação
de três medidas provisórias que trancam a pauta e a
indicação de três embaixadores.
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