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Brasília - A
Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas
do Congresso aprovou hoje (18) o relatório final com 51 recomendações
gerais para conter os efeitos do aquecimento global. Entre elas, estão
sugestões de financiamento de tecnologias limpas, mudanças
na matriz energética e adoção de hábitos
de consumo consciente.
O texto, aprovado por unanimidade, sugere a criação de
um fundo mundial ambiental com recursos de impostos sobre o comércio
internacional para financiar projetos ambientais e iniciativas
sustentáveis nos países em desenvolvimento. Outra
proposta é elevar a Tarifa Externa Comum
(TEC) para alimentar um fundo semelhante no âmbito do Mercosul.
“É preciso ter uma fonte de recursos para financiar serviços ambientais. A idéia do fundo mundial é utilizar um percentual pequeno sobre as importações dos países para esse fim. Vamos levar a idéia ao Itamaraty [representante do governo em negociações globais sobre o clima] para que o Brasil discuta a proposta nos fóruns internacionais ”,
argumenta o senador Renato Casagrande (PSB-ES), autor do relatório
aprovado hoje.
O
relatório também trata da adoção de metas
de redução de emissões de gases de efeito estufa
e defende que o Brasil estipule compromissos setoriais voluntários
de controle de emissões como base para a estruturação
de um mercado doméstico de créditos de carbono. No
atual regime global de mudanças climáticas,
regulamentado pelo Protocolo de Quioto, apenas os países ricos
têm metas obrigatórias de redução de
emissões. "O Brasil também precisa assumir compromissos internacionais em relação ao combate ao desmatamento na Amazônia", acresenta Casagrande.
Os
parlamentares também querem incluir a discussão sobre
mudanças climáticas “nas estratégias de
desenvolvimento para o país”, como os Planos Plurianuais, os zoneamentos ecológico-econômicos e o Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Licenciamentos
ambientais de empreendimentos com “horizonte de projeto superior a
25 anos” também deverão estar sujeitos a critérios
que considerem o possível impacto das obras para o aquecimento do
planeta, de acordo com o relatório.
Programas que desestimulem o uso individual de veículos
automotivos e incentivem o uso do transporte público e
políticas de estímulo à construção
de edificações e equipamentos de infra-estrutura urbana
com adoção de práticas sustentáveis
também estão entre as recomendações do
relatório.
As
recomendações serão encaminhadas a
representastes dos governos federal, estaduais e municipais e
deverão orientar a atividade legislativa em relação
ao tema. O trabalho da comissão mista deve ser prorrogado por
mais seis meses.
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