



|
São Paulo - O índice de inflação no
Brasil deve recuar e ficar em 4,5% no próximo ano, mantendo-se
dentro da meta oficial. A previsão foi feita pelo ex-ministro
da Fazenda Mailson da Nóbrega, em entrevista à TV
Brasil. Para ele, a forma de combate à inflação
adotada no Brasil é “politicamente correta”. Ele disse que
se trata de uma ação acertada, porque “a inflação
afeta negativamente a popularidade dos governos”.
Segundo Mailson, além de perceber a relação
entre alta de preços e popularidade, o presidente Lula parece
compreender que existe relação entre a ação
do Banco Central (BC) e a preservação da inflação
baixa, “o que é particularmente importante para os
pobres”. O economista lembrou que, no período do pós-guerra,
a sociedade brasileira se comportava como a mais tolerante à
inflação em todo o mundo. “Isso gerava uma atitude
leniente aos riscos inflacionários.”
Para Mailson, esse quadro mudou, o que levou o
Brasil a uma posição de grande credibilidade no mercado
internacional. O ex-ministro considera eficiente a elevação
da taxa básica de juros (Selic), para controle da inflação.
Ele disse que só dentro de seis a nove meses deverão
ser sentidos os efeitos dos dois recentes aumentos da taxa em 0,5
ponto percentual, elevando-a para 12,25% ao ano.
Por enquanto, ressaltou, “é uma variação
pontual e ainda não pode ser tida como uma tendência
permanente”. Mailson acredita que a economia brasileira continuará
crescendo de forma sustentada.
Para ele, a política monetária seria
ainda mais eficiente se fosse feita uma combinação
entre o aumento da taxa básica de juros e a redução
do gasto público. “O ideal seria que, ao lado da taxa de
juros, houvesse redução dos gastos públicos”.
O aumento da demanda tem ocorrido principalmente pela maior oferta de
crédito, mas também porque “o governo está
gastando muito”, afirmou.
Mailson lembrou o reconhecimento da credibilidade
do Banco Central foi destaque em publicação do jornal
francês Le Monde, que teria sugerido ao banco central
americano (Federal Reserve) usar o exemplo brasileiro na
adoção da política monetária, que “agiu
preventivamente para atacar um surto inflacionário”. O
economista acredita em novos aumentos da taxa básica de juros,
para evitar que “a alta de preços se generalize e transforme
numa espiral preços/salários”, o que iria “prejudicar
os pobres e voltar ao passado de inflação elevada”.
O ex-ministro observou que o Chile não teve
a mesma percepção que o Brasil para conter a inflação:
“Eles perderam o passo, imaginando que não tinha mais o que
fazer, e a inflação [do Chile] está,
rapidamente, fugindo ao controle deles. De 3% está se
aproximando de 9%.”
Mailson considera errônea a estratégia
de restrição ao crédito, adotada por governos
passados. ”A taxa de juros não tinha função
relevante nos esforços de combate à inflação.
O governo usava o controle de preços, limitava as exportações,
importava diretamente feijão, arroz e outros produtos. Agora,
não. Agora é a taxa de juros”. O ex-ministro destacou
que, pela primeira vez no Brasil, a população está
tendo acesso a bens de consumo que antes eram privilégio dos
mais abastados.
Ele defende que as autoridades permaneçam
atentas às pressões externas de aumento de preços
de matérias-primas e do petróleo, bem como de outras
commodities (produtos com cotação no mercado
internacional. No último caso, entretanto, ele entende que o
Brasil pode se beneficiar, por ser um país exportador.
Quanto à cotação do barril do
petróleo, Mailson acha pouco provável que o preço
volte à média de US$ 30 a US$ 40, porque há um
aumento da demanda, principalmente diante da evolução
econômica da China. Além de o consumo ter aumentado, há
uma movimentação do fluxo migratório do mercado
de aplicações em renda fixa para os papéis do
mercado futuro do petróleo.
|
|