



|
Brasília - O secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda,
Bernard Appy, disse hoje (18) que, se o crescimento da economia
brasileira continuar em 5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano, o
Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) poderá
dispor de aproximadamente R$ 9,5 bilhões em 2010. A criação
do FNDR está prevista na proposta de reforma tributária
que tramita no Congresso Nacional.
Ao participar
de audiência pública na Comissão de
Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado, Appy lembrou que
o FNDR servirá para coordenar a distribuição de
recursos aos estados, de modo a reduzir as desigualdades regionais.
Ele estima
que, dos recursos previstos, 60% serão destinados a
financiamentos, de forma descentralizada, e os 40% restantes para
obras estruturantes de apoio ao turismo.
Pelos seus
cálculos, caso seja mantida a projeção de
aumento do PIB, soma das riquezas produzidas no país, o volume
do FNDR aumentará para R$ 14,6 bilhões em 2016.
“Estamos propondo aprimoramento na forma de execução
da política de desenvolvimento regional, mas isso não
está na proposta ora em discussão”, disse.
O ex-ministro
da Fazenda, Mailson da Nóbrega, também presente na
audiência pública, considerou a estimativa "irrisória
para as necessidades de desenvolvimento do turismo".
Mailson
criticou o fato da proposta da reforma tributária estar
centrada, na sua opinião, no Imposto sobre Valor Agregado
Federal (IVA-F) e na unificação das 27 legislações
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS). "Não se conseguiu ainda um consenso entre os
estados sobre essa questão".
Para ele, a
aprovação da reforma vai desfazer o que chamou de "o
grande equívoco" da Constituição de 1988,
que foi permitir a gestão do ICMS pelos estados. Mailson disse
que isso "desarrumou um sistema tributário que já
foi dos melhores do mundo e hoje é o maior inibidor de
desenvolvimento do país”.
A audiência
pública também teve participação da
economista Maria Helena Zockun, da Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas (Fipe). Para ela, a proposta deveria
priorizar o caráter federativo do país e incluir o ICMS
no IVA-F, como define proposta alternativa do senador Francisco
Dornelles (PP-RJ).
A diferença
estaria no fato de que os recursos arrecadados seriam distribuídos
não pelo quantitativo referente a consumo, mas proporcional à
população de cada estado. De acordo com Maria Helena, a
disponibilidade de recursos públicos por habitante, como
acontece hoje, é muito desigual e determinada, em parte, pelo
critério de onde os impostos são arrecadados. “O
objetivo deve ser redistribuir a renda pelo país, de forma
mais solidária, para atenuar as diferenças regionais",
acrescentou.
A economista
afirmou que "o sistema fiscal atual é perverso para as
famílias mais pobres". Ela mostrou pesquisa da Fipe
sobre dados primários do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). O estudo revela que a carga tributária
sobre a renda total das famílias com até dois salários
mínimos por mês chega a 51,6%, e cai à medida do
aumento da renda até se estabilizar em 27,3% para as famílias
que ganham mais de 30 salários mínimos por mês.
"Os pobres pagam hoje quase o dobro de impostos em relação
aos mais ricos", enfatizou.
|
|