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Brasília - A coordenadora da área técnica da Saúde da Mulher do
Ministério da Saúde, Regina Coeli Viola, disse que a decisão do governo é não enfrentar de forma "hipócrita" a mortalidade de mulheres em razão de complicações durante o aborto.
A afirmação foi feita hoje (18) durante audiência pública
da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados que discutiu a
denúncia feita no Mato Grosso do Sul contra quase 10 mil mulheres por
prática de aborto.
“Ao lado da Secretaria de Políticas para Mulheres,
nosso foco é não enfrentar a questão da mortalidade de mulheres de
forma hipócrita. Não vamos colocar essa questão debaixo do tapete”,
afirmou.
Ela ressaltou que para cada 100 mil nascidos vivos no
Brasil, há um índice é de 74 mortes maternas, número considerado muito
elevado pelo governo.
Regina disse ainda que 213 mil mulheres procuraram o
SUS em 2007 para procedimentos de curetagem. “O SUS gasta por ano cerca
de R$ 35 milhões nesses procedimentos”, informou. Não existem números
oficiais, mas o governo estima que são realizados no Brasil a cada ano
de 1 a 3 milhões de abortos.
Ela ressaltou que, apesar de críticas de setores
religiosos o ministério vem investindo pesado em políticas que ofereçam
alternativas contraceptivas, mas também investe em programas de
capacitação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para
evitar que procedimentos abortivos feitos em casa elevem o número de
mortalidade materna.
Na audiência, a advogada Carmen Hein Campos,
conselheira-diretora da organização não-governamental (ONG) Themis, definiu a legalização do aborto como uma questão de saúde pública, posição já defendida pelo ministro
José Gomes Temporão ao assumir a pasta. Ela destacou que o aborto
clandestino é provocado principalmente pela criminalização da prática.
A psicóloga Maria da Conceição de Brito Dantas,
consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud),
também participou da audiência e se declarou. indignada com a
investigação no Mato Grosso do Sul.
Maria da Conceição defendeu mudanças na legislação
brasileira. "O Estado não pode ser dono do corpo da mulher,
criminalizando-a e torturando-a por decisões que, muitas vezes, são
tomadas pelo companheiro ou marido. Decisões do tipo: ou aborta ou sai
de casa. Não é possível, em pleno século 21, ainda se manter uma
legislação penal da década de 40."
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