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Rio de Janeiro - Os moradores da favela do Morro
da Providência, centro do Rio, que têm as casas
reformadas pelo projeto Cimento Social, divergem sobre a
presença militar na área. Muitos, agora, estão contra o
Exército por conta da morte de três jovens que foram entregues a traficantes de uma facção inimiga no último
final de semana. Outros dizem que o importante é ter as
obras, com ou sem as tropas. O projeto prevê com a revitalização de fachadas e telhados de 780 casas. As obras são executadas, desde dezembro, pelo Batalhão Escola de Engenharia do Exército e a Comissão Regional de Obras da 1a Região Militar, com recursos de R$ 12 milhões, do Ministério das Cidades.
Um dos moradores que é favorável à presença dos militares é o
biscate Célio Francisco Leandro, de 59 anos. Ele mora vive com a
família, de cinco pessoas, em uma pequena casa beneficiada pelo projeto Cimento Social. "Aqui já pintaram, fizeram a parede de
tijolo. Muita coisa. Só falta a fiação
elétrica", relatou.
Para Leandro, não
importa quem vai chefiar as obras na comunidade. Ele aceita, inclusive, que a Força
Nacional assuma a função do Exército. "Somos mesmo é a
favor das obras. Com ou sem as tropas", disse. A Associação
de Moradores do Morro da Providência pediu a saída das tropas depois da morte dos rapazes.
Funcionário do projeto, Manuel Soares, que não mora no Moro da Providência, é favorável à continuidade das obras porque, antes do trabalho na favela, estava há seis anos sem carteira assinada. O pedreiro vivia de bicos.
"A carteira
assassinada, mesmo que ganhe menos, é uma vantagem para mim.
Ao final, tenho minha aposentadoria", avaliou Soares. "Sendo
a obra para população, com Exército ou sem
Exército é uma boa".
Já a moradora
Zilá Pererira dos Santos, de 61 anos, que também tem a
casa em reforma pelo projeto, defende a saída do Exército para "a
tranqüilidade do morro". "Eles pintaram e
bordaram por aqui, não dá", opinou. Para a moradora, a
associação de moradores deveria gerir o projeto até que todos os vizinhos tivessem suas casas reformadas. Hoje (19), após
reunião com o comando do Exército no Rio, a Associação
de Moradores do Morro da Providência, que coordena o trabalho dos funcionários contratados pelo Cimento Social, informou que deve concluir, em 45 dias, 85 das 600 casas
previstas para serem beneficiadas pelo projeto. Pela decisão, o restante da obra,
estimada para durar um ano e meio, só será
retomada com a saída das tropas da comunidade.
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