|
Rio de Janeiro - O presidente do
Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, desembargador Roberto
Wider, informou hoje (19) que o órgão vai abrir para
consulta pública na internet uma lista com os nomes dos
candidatos que respondem a processos na Justiça. Wider adiantou que o
TRE/RJ vai rejeitar as candidaturas de pessoas que tenham fichas
criminais comprometidas.
De acordo com o
desembargador, o candidato pode recorrer ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) e conquistar o direito de participar da disputa nas
urnas, mas neste caso, segundo ele, o eleitor já terá
sido alertado sobre a situação do candidato e caberá
a ele decidir.
Para Wider a medida é fundamental para
melhorar o padrão ético-político do país,
e encontra respaldo no "clamor social". "Todos nós
estamos cansados de verificar desvios de conduta praticados por quem
foi indicado para dirigir a sociedade. Temos que ter bom senso e
criatividade para resolver esse problema que está aí e
a sociedade está clamando", afirmou.
O desembargador disse
confiar no bom senso dos juízes eleitorais para avaliar se o
crime a que o candidato responde judicialmente é suficiente
para comprometer sua vida pública, como o de pessoas que
tenham se envolvido em acidentes de trânsito, sem impacto sobre
a candidatura, e acusados de desvio de verba pública, furto e
até homicídio, casos que justificariam a
inelegibilidade.
Wider reconheceu que
não há lei específica que defina critérios
objetivos para a impugnação. Ele no entanto defende que
o Judiciário não pode se eximir dessa responsabilidade,
e deve se basear no princípio da moralidade na administração
pública, garantida pela Constituição
Federal.
"Estamos lidando com valores diferentes. Todos
aqueles que querem exercer uma atividade pública têm que
demonstrar ter uma folha limpa, menos os senhores políticos?
Até os ascensoristas do Congresso Nacional têm que
comprovar uma ficha limpa para estar ali, mas todos aqueles que ele
transporta não precisam. Alguma coisa está errada e
alguma coisa precisa ser feita", defendeu o presidente do
TRE/RJ.
O presidente do Colégio dos Presidentes dos TREs e
do TRE do Rio Grande do Norte, Claudio Santos, concorda com a atuação
do Judiciário para tornar candidatos inelegíveis. Ele
porém disse que é contrário à divulgação
pelos órgãos eleitorais dos processos que correm contra
os candidatos.
Segundo ele, esse papel cabe aos partidos e à
sociedade civil, e se realizado pela Justiça Eleitoral,
poderia configurar pré-julgamento.
"Ao examinar a vida
pregressa do candidato já vamos previamente, se tal lista seja
divulgada, impedindo que uma pessoa seja candidata a um cargo
eletivo", defendeu.
Os presidentes de
tribunais eleitorais participam, no Rio de Janeiro, do 41º
Encontro do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais
Eleitorais.
O evento, que vai até
amanhã (20), discute a divulgação de listas com
as fichas criminais dos candidatos para as eleições
deste ano.
|