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Rio de Janeiro - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a atuação de milícias no Rio de
Janeiro - a CPI das Milícias - foi instalada hoje (19) na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj).
Antonio Santos Salustiano e Ocian Gomes Salustiano, suspeitos de terem
confeccionado uma bomba que explodiu na delegacia de Campo Grande, na semana
passada, devem ser os dois primeiros a prestarem depoimento à CPI, na próxima
quinta-feira (26).
O deputado estadual Natalino Guimarães (DEM), que teria sido
apontado como o mandante do crime pelo delegado de Campo Grande, Marcus Neves,
disse que gostaria também de prestar depoimento, segundo informou o presidente da
Comissão, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).
"Esses grupos milicianos, por serem formados por agente
da segurança pública, dominarem territórios e terem braços políticos muito
claramente, representam uma ameaça à soberania do estado. Esse é um elemento
muito preocupante, quando as atividades criminosas passam a ter
representatividade no Legislativo", disse Freixo.
Outros deputados, delegados e membros da Secretaria
Estadual de Segurança também serão convocados a depor. O objetivo é tentar
descobrir como funcionam esses grupos criminosos. A prefeitura do Rio, os meios
de comunicação e alguns órgãos da sociedade civil foram chamados a contribuir
com a CPI das Milícias por meio de qualquer tipo de documento e pesquisa sobre as milícias. O
Disque-Milícia, um telefone para fazer denúncias anônimas a respeito das
milícias, deve ser instalado até a próxima semana. A proposta de criar a CPI das Milícias foi feita inicialmente em fevereiro do ano passado pelo Marcelo
Freixo, mas acabou arquivada. O projeto foi reavivado no mês passado, depois
que as autoridades tomaram conhecimento do seqüestro e tortura de uma equipe do jornal O Dia
pela milícia que controla a Favela do Batan, na zona oeste do Rio, no início de
maio.
A matéria foi alterada para correção de informações.
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