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19 de Junho de 2008 - 22h20 - Última modificação em 20 de Junho de 2008 - 09h34


Brasil poderá ter a segunda maior reserva de urânio do mundo, afirma presidente da Aben

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A flexibilização do monopólio da atividade de exploração de urânio, em discussão no âmbito do governo federal, poderá dar ao Brasil a segunda maior reserva de urânio do mundo - elevando de 300 mil para 800 mil toneladas o volume do minério cujas reservas são conhecidas no país. Poderá ainda contribuir de forma decisiva para que o Brasil possa produzir internamente todo o urânio enriquecido a ser utilizado em suas usinas.

A afirmação foi feita hoje (19) à Agência Brasil pelo presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Francisco Rondinelli, ao participar do simpósio anual da Seção Latino-Americana da American Nuclear Society (LAS/ANS), encerrado no Rio.

Na avaliação do presidente da Aben (instituição que reúne técnicos e pesquisadores do setor nuclear privado do país), flexibilizar o monopólio é a alternativa mais viável à falta de recurso para que o país dê continuidade ao processo de enriquecimento do urânio, cujo ciclo já domina em sua plenitude.

“O Brasil tem competência em todos os setores, detém o ciclo completo do enriquecimento, mas não gera o suficiente para atender as necessidades de suas próprias usinas. Faltam recursos e, por isso mesmo, o país se vê na obrigação de realizar o enriquecimento no exterior. Já temos descoberto 310 mil toneladas que dariam para fazer 25 usinas iguais a Angra 2, com período de vida de 60 anos”, avaliou.

Lembrando que há 30 anos o país não realiza trabalhos de prospecção, Rondinelli defendeu uma decisão favorável à flexibilização do monopólio no país.

“Não adianta nada ficar sentado em cima delas [das reservas] e não utilizá-las para nada. Há mais de 30 anos que não se prospecta no país. O que o empresariado quer para desenvolver a atividade são garantias de que poderá exportar parte do que prospectar.”

O presidente da Aben explicou que o ideal seria que o governo decidisse por um meio termo entre o monopólio hoje existente e uma abertura total do mercado.

“Há alguns setores, como o de enriquecimento e fabricação de combustíveis, que devem ficar nas mãos do governo, mesmo porque a iniciativa privada não tem muito interesse em investir nessas áreas. Já na prospecção, há o interesse de vários parceiros nacionais e internacionais. Basta dizer que a Vale comprou uma mina de urânio na Austrália. Por que uma empresa brasileira pode explorar urânio na Austrália e não pode no Brasil?”, questionou.

Ele defendeu “uma associação entre o setor privado e a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), que ficaria com uma parcela a ser aplicada no ciclo do combustível.

“Não é para explorar e levar todo o urânio para o mercado externo. Uma parcela desse urânio seria exportada pela própria INB e revertida para o desenvolvimento e a implementação do processo de enriquecimento do urânio no próprio país”.

Tendo como tema central  A Energia Nuclear, a Matriz Energética Brasileira e o Monopólio da Tecnologia - Retomada da Construção de Usinas Nucleares na América Latina, o simpósio discutiu hoje, entre outros assuntos, exatamente A Flexibilização do Monopólio da Tecnologia Nuclear no Brasil.

O assunto entrou em debate um dia após, no mesmo local, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, ter anunciado que a Usina Nuclear Angra 3 terá suas obras reiniciadas ainda este ano e que o governo pretende construir até 2030 outras quatro unidades no país, com potencial individual de 1 mil megawatts (MW).

Atualmente, um grupo interministerial instituído pela Casa Civil analisa a possibilidade de abrir para o setor privado a atividade de exploração de urânio no país, informou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

A possibilidade da quebra do monopólio na exploração de urânio – hoje restrita à empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB), subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia – já vem também sendo mencionada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Segundo ele, a intenção do governo é abrir o setor para exploração da iniciativa privada, permitir a exportação do combustível e até, “em determinado momento”, o beneficiamento, desde que sob controle do Estado.




 


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