O próximo censo populacional, em 2010, terá um cadastro atualizado continuamente, para evitar defasagem. Atualmente, a atualização completa só é feita a cada década. A novidade foi anunciada hoje (19) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Um dos objetivos e novidades do censo 2010 é construir um cadastro de todos os domicílios do país, que possa ser atualizado de tal maneira que não precisemos de outros dez anos para atualizar as informações sobre a população brasileira”, disse o presidente do órgão, Eduardo Pereira Nunes.

Os últimos censos foram feitos em intervalos de dez anos, com atualização do número de habitantes num período intermediário. Segundo o presidente do IBGE, esse modelo gera algumas incoerências e diferenças entre o dado censitário e a projeção populacional. Por isso, a idéia é fazer uma atualização anual, o que também contribuirá para a melhor distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que varia de acordo com o número de habitantes de cada localidade.

“Com o censo contínuo, a cada ano, vamos recensear uma parcela da população e ir acumulando os dados, de tal maneira que todos os anos tenhamos informações atualizadas sobre a população brasileira, que serão utilíssimos para informações mais precisas sobre a população de cada município e fundamental para o TCU [Tribunal de Contas da União] repartir o FPM”, explicou Nunes, em evento de apresentação antes da primeira reunião do processo censitário de 2010, no Ministério do Planejamento.

Os números mostram a amplitude da pesquisa que será realizada em 2010. Serão contratados e treinados 240 mil profissionais para coleta de dados em cerca de 58 milhões de domicílios espalhados pelos 5.564 municípios brasileiros. Os recenseadores usarão 220 mil computadores de mão equipados com receptores de GPS.

O custo total da operação, ao longo de três anos, desde o início dos trabalhos até a divulgação dos resultados finais, será de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, equivalente a pouco mais de R$ 24 por domicílio.

O censo identificará idade, sexo, etnia, língua falada, cor, nível de instrução e de saúde, emprego e renda da população brasileira, incluindo ainda informações sobre localização, qualidade e entorno dessas moradias (se estão em favela, se há infra-estrutura urbana, se existe poluição naquela área).

Na reunião de hoje, os representantes do IBGE começaram a ouvir sugestões de diversos órgãos do governo sobre perguntas que vão formar o questionário a ser aplicado na pesquisa. Depois dessa etapa, serão escolhidas algumas perguntas. O tempo de entrevista não pode ser superior a 30 minutos.