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Brasília - O superintendente da
Polícia Federal em Minas, David Salem, disse hoje em Brasília
que os deputados federais João Magalhães (PMDB-MG) e
Ademir Camilo (PDT-MG), com bases eleitorais na região Leste e
na Zona da Mata de Minas Gerais, são investigados na Operação
João de Barro pelo possível envolvimento na prática
de pelo menos três crimes: corrupção passiva,
concussão (extorsão cometida por funcionário
público) e tráfico de influência.
Salem também
explicou porque a PF ainda não pediu prisão preventiva
dos parlamentares: “Tem uma razão de ordem técnica. A
lei diz que deputado federal só pode ser preso em flagrante
de crime inafiançável. E os possíveis delitos
cometidos por eles [Magalhães e Camilo] não admitem
situação de flagrância”, esclareceu. A Operação
João de Barro investiga o superfaturamento de obras em prefeituras de Minas Gerais, parte delas integrantes do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).
O esquema funcionava,
segundo a PF, a partir da destinação para os
municípios de recursos provenientes de emendas parlamentares ou
de convênios com instituições bancárias
oficiais - Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de
Desenvolvimento Social (BNDES). Empresários e lobistas se articulavam
para vencer as licitações e posteriormente executavam a
obra em qualidade inferior à estabelecida no projeto, o que
viabilizava a sobra dos recursos a ser desviada.
Hoje pela manhã,
agentes da PF fizeram ações de busca e apreensão
de documentos nos gabinetes dos dois deputados mineiros. "A busca serve para encontramos mais elementos e amanhã podermos, de modo mais firme, levar isso para uma ação penal", explicou Salem. Se a PF pedir, de fato, o indiciamento dos parlamentares, caberá à Procuradoria Geral da República denunciá-los ou não, perante o Supremo Tribunal Federal.
Ao todo, a
Operação João de Barro deve cumprir 231 mandados
de busca e apreensão e 38 mandados de prisão temporária
contra funcionários público, empresários e
lobistas em sete estados até o fim do dia. A PF já
pediu a prisão preventiva também de alguns prefeitos,
cujos nomes são mantidos em sigilo, e aguarda que o Tribunal
Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, se pronuncie a respeito.
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