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Brasília - O governo brasileiro
está em contato com a representação palestina no
Brasil para convencer o grupo de nove palestinos acampados, em
Brasília, em frente à sede do Alto Comissariado das
Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a permanecerem
no país.
Foi o que afirmou o
secretário-executivo do Ministério da Justiça e
presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Luiz
Paulo Barreto. Segundo ele, não há nada além
disso que o governo brasileiro possa fazer para ajudar o grupo.
Barreto disse
reconhecer que haja problemas de adaptação dos
refugiados. “Não é que eles estejam sendo ingratos.
Possivelmente alguns parentes tenham conseguido ir para países
mais desenvolvidos, o que faz com que esse grupo tenha o mesmo
sonho”, supôs.
Os refugiados fazem
parte de um grupo de 109 palestinos que veio para o país no
final do ano passado, inseridos no programa de reassentamento de
refugiados da Organização das Nações
Unidas (ONU).
Eles estavam em um
acampamento para refugiados mantido pela ONU na fronteira do Iraque
com a Síria e a Jordânia, depois de terem saído
de Bagdá, onde estavam sendo perseguidos, logo após a
queda de Saddam Hussein.
“Eu não
posso fazer absolutamente nada, nós recebemos esse grupo,
protegemos esse grupo, providenciamos documentos de trabalho,
identidade”, diz Barreto.
Segundo o secretário, os
palestinos reclamam porque querem ir para os Estados Unidos ou para a
Europa, mas que não há como assegurar que eles sejam
recebidos em outros países. “Se quiser ir para os Estados
Unidos você tem que ir na embaixada, pedir um visto, não
tem como o governo brasileiro assegurar que eles vão conseguir
transferir suas residências”, relatou.
Barreto
ressaltou que, antes de aceitarem vir para o Brasil, no programa de
reassentamento, os refugiados recebem informações sobre
o país, dados sobre emprego e condições de vida,
inclusive sobre se é possível manter sua cultura e
religião sem ser perseguido.
“Tudo isso é
dito pra eles. Mas a gente entende que na hora em que você está
dentro de um acampamento, no meio de um deserto, a sua tendência
é falar eu topo, eu vou”.
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