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Brasília - A melhor
definição que qualifica o sistema carcerário
brasileiro é a de um “verdadeiro inferno”. A avaliação
é do deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), relator da
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema
Carcerário.
Às vésperas de entregar o relatório final da
investigação – resultado de oito meses de visitas a
presídios de vários estados do país –, ele
relata que a situação encontrada reflete um “caos
absoluto”, provocado, sobretudo, pela superlotação de
celas.
Segundo o parlamentar, os casos mais graves foram registrados nos estados da
Bahia, do Pará, do Rio Grande do Sul, de Rondônia e de
Mato Grosso do Sul.
Um dos casos que será destacado no relatório é o de uma colônia agrícola em Mato Grosso do
Sul. O local, projetado para abrigar 80 presos, registrava um total
de 680 detentos. E, segundo o deputado, cerca de 60 deles dormiam junto
com porcos. No
distrito de Contagem (MG), foi encontrada uma cela construída para 12
presos, mas que abriga um total de 70. Os detentos, segundo o
deputado, se revezam para dormir à noite e usam um sanitário impróprio.
Já
no estado do Ceará, o deputado afirma que a comida é
servida aos presos, muitas vezes, em sacos plásticos, sem nenhum tipo de talher.
No Presídio Lemos de Brito, em Salvador, a CPI encontrou um
comércio alternativo também provocado pela
superlotação. Ovos e cebolas, segundo Dutra, são
vendidos pelo valor superfaturado de R$ 0,50 a unidade.
O deputado relata que, no estado do Rio de Janeiro, os presos são
separados de acordo com a facção criminosa a que
pertencem. Cada presídio e cada delegacia fluminense, de acordo com o relator, é comandado por facções como o
Terceiro Comando, o Comando Vermelho, o Amigo dos Amigos (ADA) ou o
Inimigo dos Inimigos (IDI).
“Esse é
o retrato da situação de 440 mil presos que existem no
Brasil, sendo que, para manter cada preso, gasta-se por mês de R$ 1,3 mil a R$ 1,5 mil. Esse valor é injustificável,
a quase absoluta totalidade dos presos que nada fazem.”
* Colaborou Sabrina Craide.
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