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Rio de Janeiro - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou
hoje (20) que é preciso criar uma legislação específica, que regulamente a atuação das
Forças Armadas em situações de conflito, a exemplo da ocorrida no Morro da Providência, no Rio
de Janeiro. Para Jobim, essa legislação deveria ter como exemplo o que é feito no Haiti.
Jobim acredita que não há mais que se discutir se as Forças Armadas têm ou não qualificação "para tratar conflitos em áreas urbanas, onde se misturam civis e
organizações criminosas”.
Jobim informou que ainda hoje vai se reunir, em Brasília, com oficiais
do Exército, para avaliar o perfil de atuação das Forças Armadas nesses casos. De acordo
com o ministro, é uma demanda da própria sociedade brasileira. Ele citou, inclusive, o
fato de a Constituição Federal definir que as Forças Armadas não são destinadas apenas para
realizar a proteção da soberania nacional, mas também para garantir a lei e a
ordem.
Ele classificou, ainda, como um “fato isolado, que não expressa
absolutamente a competência das Forças Armadas,” o episódio em que uma tropa do Exército
se envolveu na morte de três jovens moradores do Morro da Providência, no centro
do Rio. Segundo ele, isso não pode desqualificar a atuação do
Exército no local. Jobim informou, também, que ontem foi entregue à Justiça um
pedido de suspensão da liminar que determinou a retirada do Exército do Morro da
Providência. Para o ministro, essa determinação “faz parte do jogo”, mas ele afirmou
que não é possível substituir imediatamente os homens do Exército pelos da Força
Nacional de Segurança.
“Não tem efetivo da Força para
isso”, afirmou o ministro, enfatizando ter esperança de que o Exército seja mantido
no local, mas que se for preciso a retirada dos homens, as obras serão
paralisadas “até o momento em que o assunto for
retomado”.
“As obras são realizadas pelo Exército. O
convênio com o Ministério das Cidades é para realizar as obras e dar segurança.
Se um dos elementos do convênio desaparece, desaparece todo o
resto”, disse o ministro.
Jobim participou hoje da solenidade de
despedida do Navio-Escola Brasil, que segue amanhã (21) para a 22ª viagem de
instrução, com 158 Guardas-Marinha a bordo. A viagem, que este ano percorrerá 16
países, é realizada anualmente a fim de complementar de forma prática os
conhecimentos teóricos adquiridos na Escola
Naval.
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