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Brasília - Áreas técnicas da equipe
econômica do governo analisam juntamente com o pessoal do
Ministério da Integração Nacional a possível
criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional
(FNDR) cujos princípios estão inseridos na proposta de
emenda constitucional (PEC 233) que trata da reforma tributária,
em tramitação no Congresso Nacional.
Como antecipou nesta
semana o secretário de Política Econômica do
Ministério da Fazenda, Bernard Appy, se a PEC 233 for aprovada
neste ano e entrar em operação em 2009, já no
ano seguinte o Fundo poderá dispor de aproximadamente R$ 9,5
bilhões para ações de desenvolvimento regional.
Os recursos virão de 4,8% da arrecadação do
Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) e
imposto sobre grandes fortunas.
A prioridade na aplicação
desses recursos, segundo ele, será em obras de
infra-estrutura, para as quais serão destinados cerca de 40%
do FNDR. O restante vai financiar projetos de ciência e
tecnologia, assistência técnica e qualificação
de mão-de-obra, fortalecimento industrial, incentivo à
produção e interiorização do capital
humano.
Mas, na visão do ex-ministro da Fazenda
Mailson da Nóbrega, o volume de recursos é pequeno
diante da necessidade do país, a seu ver, investir algo em
torno de 20/22% do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma das riquezas
produzidas no país - para atender as carências locais,
de modo a reduzir as disparidades regionais.
Tomando por base
o PIB dos últimos 12 meses, estimado pelo Banco Central em R$
2,816 trilhões, o cálculo de Mailson da Nóbrega aponta para
aplicações superiores a R$ 560 bilhões, mas não
menciona o período de aplicação dos
investimentos.
A
estimativa do ex-ministro, porém, está distante dos
cerca de R$ 3,8 bilhões (40% dos recursos do FNDR) previstos
pelo secretário de Política Econômica, embora os
números sejam crescentes nos anos seguintes, com possibilidade
de alcançarem R$ 5,8 bilhões em 2016.
Para
Mailson, é preciso que a sociedade rediscuta as premissas que
formam as bases das políticas regionais de desenvolvimento, em
razão das limitações do Poder Público.
“Devemos ter a dimensão exata da força que tem o
governo federal no processo de desenvolvimento, que é muito
pequena, e por isso é preciso pensar grande no sentido de
atrair o setor privado para investimentos em infra-estrutura”,
avaliou.
Esse processo, segundo o ex-ministro, será
facilitado em razão do “volume considerável de
recursos” existentes no mercado mundial e na “expectativa de
ganhos que podem ser canalizados em um amplo processo de privatização
das estradas, portos e aeroportos que servem as regiões menos
desenvolvidas, através de investimentos diretos das empresas
ou em parcerias”.
Ele disse que o Brasil pode dispor, hoje,
de investidores institucionais poderosos – como fundos de pensão
e de investimentos, ou seguradoras – que representam “soma
apreciável de recursos”, de aproximadamente US$ 1 trilhão,
em busca de ativos para rentabilizar suas reservas.
Mas,
mudar a visão de desenvolvimento regional implica também,
segundo ele, repensar a dependência do governo federal, pois
“temos que nos convencer que essa fonte [recursos públicos]
de desenvolvimento é extremamente limitada nos dias de hoje”.
Outra questão que merece reflexão, de acordo
com Mailson da Nóbrega, é saber se a implantação de
indústrias seria a principal fonte de desenvolvimento de
regiões como a Amazônia, o Nordeste e o Centro-Oeste.
Ele
considera que não e cita exemplos externos de desenvolvimento
regional através de descobertas de vocações
naturais para o turismo, tais como a região da Côte
d'Azur, no sul da França, que surgiu como uma “febre”
depois da Segunda Guerra Mundial, ou mesmo a Espanha, que hoje
investe pesado no turismo e já é o segundo país
europeu mais visitado.
O ex-ministro ressaltou que o turismo também
é a vocação natural para o desenvolvimento do
Nordeste, mas para isso precisa de investimentos que “gerem bens
públicos, capazes de proporcionar externalidades positivas”.
“O
turismo tem um efeito de transbordamento, que os economistas chamam
de spillover, e foi o que aconteceu no sul da França,
que atualmente depende menos do turismo em si, que de atividades como
tecnologia da informação”, finalizou.
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