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Brasília - A
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema
Carcerário, com base em levantamento do Departamento
Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, vai apontar em seu relatório que 130
mil detentos estão presos indevidamente em todo o país.
O
número representa 30% do total da população
carcerária brasileira, que é de 440 mil. A informação
foi divulgada pelo relator da CPI, deputado federal Domingos Dutra
(PT-MA). Ele apresenta o relatório final aos integrantes da comissão na próxima
terça-feira (24).
“Houve
muitas queixas em todos os cantos, mas a principal é dos
presos. A quantidade de detentos provisórios que estão,
às vezes há dois ou três anos, sem sentença,
é muito grande”, avalia.
Dutra
afirma que o gasto mensal com cada detento no país gira em torno de R$ 1,3 mil
e que o valor retirado dos cofres públicos para custear o
abrigo em presídios de pessoas presas indevidamente representa
uma “fábula de dinheiro”.
Dentre as
propostas que devem ser apresentadas pela CPI na próxima
semana está a de que os estados promovam, com urgência,
um mutirão jurídico coordenado pelo Ministério
da Justiça para fazer um “pente fino” e verificar quem são
as pessoas presas indevidamente.
Há
ainda a sugestão de que seja realizado um censo nacional da
população carcerária, já que os números atuais, segundo o deputado, não são confiáveis.
“Estamos
propondo que os juízes priorizem as penas alternativas. Em vez de o Estado punir essa pessoa pedindo que ela trabalhe
para a comunidade – varrendo uma rua ou capinando uma horta –, ele
prende. Há muitas alternativas, desde que todo mundo entenda
que tratar de preso é tratar da segurança de todos,
sujeitos a serem vítimas daquele que entrou no sistema
penitenciário e, quando saiu, saiu embrutecido”, pondera.
Para
o deputado, poucos presídios oferecem, de fato, oportunidade para que os presos se recuperem. Mas há exceções. “Evidente que não
encontramos só miséria”. Ele relatou que, em Mato Grosso, membros da CPI encontraram uma penitenciária
feminina que conta com uma produção de artesanato de
qualidade e que, segundo o parlamentar, pode ser exportada.
“Acredito
que esse sistema pode melhorar, fechando as portas da criminalidade e
garantindo políticas públicas nas áreas mais
pobres. Por onde passei, só encontrei gente pobre. Não
encontrei nenhum colarinho branco preso”, conta.
Ele
lembra que, de 2003 a 2008, a Polícia
Federal deflagrou mais de 230 operações que resultaram
na prisão de mais de 4 mil pessoas – prefeitos, advogados,
vereadores, contadores e secretários. “Mas o pessoal não
fica preso, porque eles têm recurso, bons advogados e são
influentes”, critica.
Outra
solução, para o relator, é “abrir as portas
dos presídios” e providenciar trabalho e estudo aos detentos. Ele explica que a estratégia permite a quem já cumpriu pena ter condições de
espaço no mercado de trabalho “para não voltar
a delinqüir”.
“Do
jeito que é hoje, o Fernandinho Beira-Mar e o Marcola passam a
ser chefes de verdadeiros partidos. Porque quando o Estado não
dá advogado, o PCC [Primeiro Comando da Capital, facção criminosa de São Paulo] dá. Quando o Estado não dá
transporte para a família do preso se deslocar e fazer a
visita, o PCC paga o ônibus.”
A matéria e o título foram alterados.
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