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Brasília - Apontado pela Polícia
Federal como suspeito de envolvimento direto em um esquema de desvio
de recursos federais aplicados em obras públicas em municípios
mineiros, o deputado federal João Magalhães (PMDB-MG),
que teve documentos de seu gabinete apreendidos hoje (20) pela PF na
Operação João de Barro, negou a participação
em qualquer esquema ilícito e disse ter sido surpreendido.
“Estou muito surpreso
[com a ação de busca e apreensão no gabinete parlamentar], porque não tivemos informação
anterior sobre o inquérito. O que tomei conhecimento até
agora foi pela imprensa. Estou em minha residência em Belo
Horizonte desde cedo”, afirmou Magalhães, em entrevista à
Agência Brasil.
Segundo Magalhães,
seu advogado tentou obter uma cópia do inquérito no
Supremo Tribunal Federal (STF), mas não conseguiu pelo fato de o
ministro relator, Cézar Peluso, estar viajando. Uma nova
tentativa será feita na segunda-feira (23).
A PF trabalha com a
hipótese de que Magalhães e o deputado Ademir Camilo
(PDT-DF) estejam envolvidos em práticas de corrupção
passiva, concussão (extorsão cometida por funcionário
público) e tráfico de influência. As investigações são feitas com a colaboração da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF).
As suspeitas policias
são rechaçadas pelo deputado peemedebista: “Todos os
deputados devem ter suas emendas fiscalizadas com rigor. A CGU tem que fiscalizar todos, não
só [as emendas] de um ou de dois. Mas eu não tive
nenhum município beneficiado com obras do PAC [Programa de
Aceleração do Crescimento] e muito menos com
financiamento do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social]. Estou tranqüilo”, disse o deputado.
Apesar de ter base
eleitoral no leste de Minas e na Zona da mata, Magalhães alega
não ter votação significativa na maioria das
cidades onde a PF cumpriu hoje mandados de busca , apreensão e
prisões provisórias de funcionários públicos,
empresários e lobistas. Disse ainda não acreditar que
exista um esquema de corrupção generalizada para
fraudar obras na região.
“Hoje 90% das emendas
são liberadas via Caixa Econômica Federal. Ela acompanha
desde o início do processo a execução e faz as
medições finais [da obra] para processar o pagamento.
Acho difícil acontecer isso de desvio de não sei
quantos por cento. Os preços que a Caixa usa são de
amplo conhecimento. É praticamente inexequível”,
argumentou Magalhães.
Conforme descrição
da PF, o esquema investigado consiste na associação
entre lobistas e empresários para ganharem licitações
municipais de obras feitas com recursos de emendas parlamentares e
financiadas por bancos oficiais. A partir daí, a obra é
executada com materiais de baixa qualidade para viabilizar a sobra de
quantia a ser desviada.
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