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Brasília - Os
resultados positivos dos dois primeiros anos da moratória da
soja, compromisso assinado por compradores de não
comercializar grãos produzidos em áreas de novos
desmatamentos na Amazônia, podem não se repetir no
período de prorrogação do compromisso, assinada
essa semana por representantes do governo, organizações não-governamentais e indústrias.
De acordo
com o Grupo de Trabalho da Soja, que reúne representantes da
Associação Brasileira das Indústrias de Óleos
Vegetais (Abiove) e do Greenpeace, por exemplo, nos dois primeiros
anos da moratória, em nenhum dos 193 polígonos de novos
desmatamentos na Amazônia houve cultivo de soja.
No
entanto, a situação pode mudar até a próxima
safra, influenciada pelo aumento do preço do grão no
mercado internacional, o que eleva o interesse dos produtores, e
passada a “domesticação” da terra, período
de transição (com plantio de outras culturas, por
exemplo) para que o solo seja cultivável para a soja.
“O
monitoramento revelou que houve desmatamento em 193 polígonos
e a área está lá aguardando algum tipo de
definição, que não necessariamente será a
soja. O que não quer dizer que se nós não formos
atentos, alguma soja será plantada nessas áreas. Até
porque em alguns polígonos, essas áreas estão
relativamente próximas a áreas já plantadas com
soja no passado”, admitiu o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli.
O
levantamento dos polígonos de novos desmatamentos só
levou em conta áreas de devastação iguais ou
maiores que 100 hectares, porque, segundo o GTS, em geral, não
é economicamente viável para o produtor de soja
cultivar o grão em áreas inferiores a essas.
Na
avaliação do coordenador da Campanha Amazônia do
Greenpeace, Paulo Adário, é preciso ficar atento também
a desmatamentos inferiores a 100 hectares. “Identificamos
proprietários que desmataram áreas menores, bem
próximas às lavouras que já produzem soja, o que
pode indicar que a produção será estendida para
essas áreas nos próximos anos”, apontou.
Mas, para o presidente da Abiove, a garantia de que a soja irregular não será comercializada se deve ao fato de que os
compradores de soja, que repassam a produção aos
grandes exportadores “conhecem de perto” os produtores do grão.
“Ele tem raízes na região, conhece os produtores, é
relacionado, são companheiros, ele tem a informação
[se desmatou ou não]”, disse.
Já o coordenador da campanha do Greenpeace defende a divulgação da lista de
fornecedores, para que o monitoramento dos produtores, que desmataram
ou não para produzir mais soja, não seja feito somente
por representantes das indústrias compradoras. “O comprador
de soja não tem credibilidade suficiente para dizer que não
comprou de quem desmatou”.
Adário acredita que será necessário
reforçar o trabalho para que o monitoramento chegue aos
pequenos polígonos de desmatamento. Segundo ele, foram
identificados mais 47 mil com extensão inferior a 100
hectares.
“Esse ano vai ter soja plantada nas áreas desmatadas Não
será um grande problema monitorar os 193 polígonos. O
que o GTS não têm condições de fiscalizar
são os polígonos abaixo de 100 hectares. A imensa
maioria não é em área de soja, mas se a gente
falar em 10% para a soja, sendo conservador, serão cerca de 5
mil polígonos a mais para monitorar”, estimou.
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