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Rio de Janeiro - "Não
vamos jogar todos numa vala comum", disse hoje (20) o
presidente do colégio de presidentes dos Tribunais Regionais
Eleitorais (TREs), desembargador Cláudio Santos, ao anunciar
que a Justiça Eleitoral estadual vai seguir a posição
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de não elaborar e nem
divulgar lista de candidatos que respondem a processos judiciais.
A decisão de
não fazer a chamada “lista suja” consta da Carta do Rio de
Janeiro, documento com as conclusões do 41º Encontro do
Colégio de Presidentes dos TREs do Brasil. Dessa forma,
explicou o desembargador Santos, os TREs evitam incorrer em erro. Ele
disse ainda que a Justiça Eleitoral teria muita dificuldade
para produzir o levamento com os nomes dos candidatos processados.
Em outra decisão
aprovada durante a reunião realizada no Rio de Janeiro, os
presidentes de TREs contrariam o TSE. Eles decidiram que farão
uma rigorosa análise da vida pregressa dos candidatos às
próximas eleições e, dependendo do caso, poderão
impugnar as candidaturas. A medida, ressaltou, objetiva proteger
“previamente a probidade administrativa e a moralidade pública,
com mais rigor ainda”. Recentemente, o TSE autorizou o registro de
candidatos com processos em andamento, ou seja, sem sentença
definitiva.
Ainda de acordo com a Carta do Rio de Janeiro, os
juízes e servidores serão orientados a facilitar à
imprensa, entidades civis organizadas e órgãos de
direitos humanos o acesso à documentação dos
pedidos de registro dos candidatos. “E aí, sim, a mídia,
como são documentos públicos, poderá divulgar
amplamente para orientação do eleitorado”. As
informações poderão ser disponibilizadas pelos
cartórios e divulgadas também pelos organismos que
queiram dar publicidade ao assunto, confirmou Santos.
O
desembargador acredita que a posição contrária
do TSE ao consenso dos presidentes dos tribunais regionais, tomada
em processo administrativo, poderá ser modificada. “Diante
de um fato concreto, em um processo concreto, sobre um candidato com
graves problemas com a Justiça criminal, eu acredito que o TSE
vai rever a posição. O TSE vai se debruçar de
forma mais calma e mais cautelosa sobre uma situação de
fato. E poderá, até, modificar aquela posição
inicial, o que é muito natural nos tribunais e nos colegiados
brasileiros.”
Santos destacou que os processos sobre
candidatos cuja vida pregressa seja incompatível com o cargo
serão examinados caso a caso. Lembrou que nas eleições
passadas houve casos de candidatos que realizaram toda a campanha
presos. "[Eles] “foram eleitos presos e diplomados presos.
Isso é uma coisa que não podemos aceitar. Candidatos
que têm problemas, por exemplo, com fraudes em licitação,
problemas de improbidade administrativa na própria prefeitura
e são candidatos novamente, com dezenas de processos
criminais”.
A grande mudança, enfatizou ele, é
que a sociedade está discutindo o assunto. Há, segundo
o desembargador, um consenso nacional pela necessidade de se efetivar
essas medidas previamente, visando a evitar que maus cidadãos
sejam eleitos,. “E eu falo aqueles [maus cidadãos] que não
têm aptidão para o exercício do mandato público,
para as funções do Estado. Não podemos permitir
que essas pessoas ocupem cargos públicos, até mesmo
porque a gente sabe que tudo indica, previamente, que vai haver uma
possível malversação dos recursos públicos.”
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