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São Paulo - Pesquisas realizadas mensalmente pela Federação do Comércio
do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) apontam que, desde novembro de 2006, o
número de consumidores paulistanos endividados cai dia após dia. A tendência, no entanto, não é verificada no número de consumidores inadimplentes. Segundo a assessora econômica da Fecomercio, Kelly Carvalho,
na última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic),
divulgada ontem (19), 49 de cada 100 consumidores consultados tinham alguma
dívida em seu nome: carnês de crediário a pagar, empréstimos pessoais a quitar ou ainda parcelamentos da fatura do cartão de crédito em aberto. O número é bem inferior ao verificado no final de 2006, quando
70 de cada 100 informavam estar endividados.
No entanto, apesar dessa queda, a quantidade de consumidores
que dizem ter alguma conta em atraso permaneceu praticamente a mesma. Enquanto
em novembro de 2006, 34 de cada 100 consultados afirmavam estar inadimplentes,
neste mês, 33 dizem estar nesta condição. “A queda no nível de desemprego e o aumento na renda do
trabalhador contribuíram para a redução do endividamento. Mais pessoas
conseguem pagar suas contas à vista”, explicou a economista. “Apesar disso, continuamos com um percentual de inadimplentes
considerável, o que pode causar problemas em longo prazo.” Para Kelly Carvalho, há o risco da renda da população de baixa renda estar cada vez mais comprometida com o aumento no preços dos alimentos, o que pode refletir no endividamento. “A qualquer oscilação
no nível de emprego ou desaceleração da economia, a parcela que cabe no bolso
desse consumidor [de baixa renda] pode não caber mais”, observou.
Segundo a última pesquisa da Fecomercio, consumidores
com renda mensal de até três salários mínimos (R$ 1.245) são mais da metade dos
endividados. Além disso, concluiu-se que o descontrole financeiro é o principal motivo da
inadimplênci e que as despesas com alimentos foram as que afetaram as dívidas dos
consumidores. Ainda de acordo com o levantamento, as mulheres são maioria entre os endividados e o cartão de crédito a dívida mais comum.
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