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Brasília - O general-de-brigada
Carlos Eduardo Jansen, hoje na reserva, comandou as tropas do
Exército que fizeram o policiamento do Rio de Janeiro durante
a megaconferência ambiental Rio-92 e considera um erro a ação
militar no Morro da Providência. Para ele, o Exército
sofreu um golpe muito severo na sua imagem no episódio em que
três rapazes foram torturados e mortos depois de entregues por
militares que ocupavam a comunidade a traficantes do vizinho Morro da
Mineira.
Em entrevista ao telejornal Repórter
Brasil, da TV Brasil, o general disse que o caso “foi
uma das raras oportunidades em que o Exército mereceu uma
reprovação pública da Nação
brasileira, uma situação inédita em seus 400
anos de história”.
Ele disse esperar que o
Exército comece a recuperar seu prestígio com a
população a curto prazo e o primeiro passo para isso é
caracterizar que foi uma atitude isolada dos militares envolvidos no
episódio e não uma situação sistêmica
da instituição. O segundo passo, ressaltou, é
empregar o Exército num quadro que realmente exija sua
presença.
Para o general Jansen,
a atuação do exército no Morro da Providência
“é um risco muito grande e não tem o amparo de um
diploma legal”. Ele afirma que, por esse motivo, o Exército
enfrenta um dilema no Morro da Providência: ou nada fazer, se a
situação fosse totalmente tranqüila, ou caso
sofresse uma agressão, tendo que revidar, fazê-lo com
eficácia. “Nesse caso, podendo, inclusive eliminar o
oponente e ser processado por homicídio, já que nada
respalda sua ação, ou então mostrar pouca
eficácia na repressão e nesse caso ser atingido,
colocando em jogo sua própria integridade e sobrevivência.
Por isso, a presença no Morro da Providência é um
erro”.
O militar admite que o
Exército pode atuar na segurança pública em
momentos de extrema gravidade. “Houve inclusive ali um cenário,
mais ou menos recente, de ataque a prédios públicos e
que se caracterizou como terrorismo urbano e aquela situação
extrapolava nitidamente os limites e a capacidade da Polícia
Militar do estado. Nesse caso, se poderia e se deveria ter empregado
o Exército. Existe um Estado de Defesa, remédio
constitucional que permite o emprego das Forças Armadas numa
situação de grave perturbação da ordem.”
No caso do Morro da
Providência, o general Jansen considera “indispensável
que o Exército se retire com urgência para não
aumentar o desgaste, que já é profundo, e corrigir o
equívoco da sua designação para esse tipo de
missão”. O general lembra ainda que oficiais subalternos e
sargentos do Exército no Rio de Janeiro moram no morro e “isso
estabelece um vínculo, para o bem ou para o mal, com as
populações locais.
“Se existe uma área
de exclusão da soberania nacional numa favela, por exemplo,
então o nosso militar, o soldado, acostumou-se às
injunções dessa falta de autoridade do poder público
naquela área, que é virtualmente uma área
liberada, sobre a qual não se exercita a soberania nacional,
que é um patrimônio de toda a Nação
brasileira. Isso deveria ser discutido de forma sistemática
para se achar uma solução”.
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