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22 de Junho de 2008 - 09h51 -
Última modificação
em 22 de Junho de 2008 - 15h03
Troca de ramo garante lucro para comerciantes de Campina Grande durante o São João
Morillo Carvalho
Enviado especial
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Roosewelt Pinheiro/ABr
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Campina Grande (PB) - Fábrica de fantasias de festas juninas, uma das atividades que dão lucro aos comerciantes da cidade nesta época do ano. A proprietária, Kátia Faustino, diz que chega a alugar 1,2 mil vestidos por mês
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Campina Grande (PB) - De olho nos R$ 20 milhões que entram em Campina Grande (PB) no período do maior São João do mundo, moradores da cidade usam a criatividade para conseguir uma fatia desse bolo milionário.
Tem até quem troque de ramo apenas em junho para se beneficiar, de vendedores ambulantes a donos de comércio.
Dona de uma loja de enxovais para bebês, Kátia Faustino, 40 anos, consegue quintuplicar o faturamento no mês de junho.
É que os lençóis infantis em tons pastéis cedem espaço a roupas juninas, cheias de cores fortes. Ela vira ponto de referência para quem precisa alugar uma roupa e aproveitar os festejos.
É a própria Kátia que, ao longo do ano, entre uma e outra encomenda de enxoval, confecciona as fantasias. Dos dez anos em que mantém a loja, há pelo menos seis é assim.
Hoje, são mais de mil peças na pequena fábrica. A idéia surgiu da necessidade de alugar uma roupa para a filha. Ao perceber que não havia na cidade lojas do ramo, decidiu fazer as fantasias. O resultado?
“Lucro. E prazer, porque faço os vestidos com prazer e satisfação. Eu me realizo fazendo”, assegura a comerciante e costureira. E o segredo para o sucesso também tem receita certa: “A roupa tem que ser bem produzida e [temos que oferecer] um bom atendimento para satisfazer o cliente. E é isso, é uma procura boa, alugo cerca de 1,2 mil vestidos no mês. Faz sucesso”.
Kátia tem o custo de R$ 500 para produzir um vestido de noiva caipira. O retorno, ela consegue no mês, alugando-o várias vezes a R$ 50. Quadrilhas inteiras procuram a loja para as apresentações – a maioria, de escolas e prefeituras de cidades próximas.
Uma das clientes é Alcione Lopes. Organizadora da quadrilha Fogo no Rabo, ela viaja 52 quilômetros até Campina Grande para encontrar as peças. É que em Gado Bravo, pequeno município vizinho, com 8,5 mil habitantes, as opções são poucas.
“Vale a pena vir a Campina Grande porque somos uma cidade pequena e, por aqui, os vestidos são mais detalhados e mais bonitos. O preço também fica mais em conta por aqui, porque é uma cidade que tem tradição, é um centro cultural que valoriza as quadrilhas”, diz.
A sobrinha de Kátia, Leandra Leal, 23 anos, convive duas realidades: a de quem se dá bem nesta e de um setor que não se beneficia tanto com o São João. Ela trabalha em uma financeira de empréstimos consignados durante a semana e auxilia a tia nos sábados e domingos. No primeiro ramo, as coisas não vão muito bem neste mês.
“Na loja [da financeira], esse mês é de queda, porque a maioria das pessoas está preocupada com a festa, as viagens, gastando o que tem e o que não tem, mas não se preocupa em como vai pagar as dívidas. Isso faz com que o lucro da loja caia. Já no próximo mês, o movimento começa a aumentar, porque é quando chegam as dívidas e as pessoas correm atrás de empréstimo para poder quitá-las", conta. "Aqui na loja da tia é o contrário. Tem dias em que saímos 1h da manhã por causa da procura”, compara.
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