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22 de Junho de 2008 - 16h55 - Última modificação em 22 de Junho de 2008 - 19h57


Palestinos acampados em Brasília querem deixar o país

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

 
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Marcello Casal JR/ABr
Brasília - Grupo de palestinos refugiados no Brasil há oito meses acampa em frente ao escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Eles querem ser transferidos para países europeus
Brasília - Grupo de palestinos refugiados no Brasil há oito meses acampa em frente ao escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Eles querem ser transferidos para países europeus
Brasília - Os palestinos acampados em frente à sede do Alto Comissariado das Nações Unidas Para Refugiados no Brasil (Acnur), em Brasília, acusam o órgão de não cumprir promessas feitas quando ainda viviam na fronteira do Iraque com a Síria e a Jordânia. Os refugiados preferem ser assentados em outro país.

Farok Mansur, um dos nove refugiados palestinos acampados, relata que, ainda na Jordânia, sofreu um acidente de carro que provocou sérios danos à sua coluna. A cirurgia necessária, segundo ele, não pode ser feita no Brasil. O refugiado se queixa ainda de problemas de visão, de pressão arterial alta e de indícios de diabetes.

“Eles prometeram que, assim que chegássemos ao Brasil, iríamos ao hospital para fazer um check-up. Eles se tornaram responsáveis por mim quando me trouxeram para cá e precisam resolver esse problema”, afirma.

Outro integrante do grupo, que preferiu não ser identificado, questiona a quantia de dinheiro oferecida aos refugiados no Brasil. Ele garante que os R$ 350 não são suficientes para a sobrevivência dos palestinos, já que eles precisam pagar contas de água, luz e gás, além dos gastos com alimentação.

“O governo brasileiro abriu os braços para nos receber e o Acnur nos prometeu que, quando chegássemos aqui, seríamos tratados como os cidadãos brasileiros. Encontramos outra realidade. O salário mínimo pago aos brasileiros é de R$ 380. Nos dão R$ 350. Não somos tratados iguais”, disse o palestino que preferiu não se identificar.

Ele lembra que outra promessa feita aos refugiados é a de que eles poderiam estudar e trabalhar no Brasil. Mas a realidade foi outra ao chegar, relata o palestino. Ele precisou deixar o emprego porque a carga diária de 11 horas de trabalho o impedia de freqüentar as aulas de português pela manhã.

“Pedi que as aulas pudessem ser transferidas para a noite. Disse à eles que preciso estudar e trabalhar porque o dinheiro não é suficiente. Como a educação e a língua são importantes para mim, pedi demissão para continuar os estudos, apesar do dinheiro não ser suficiente.”

O porta-voz do Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho, admite que o processo de integração de refugiados é “longo, complexo e tem muitas dificuldades”. Godinho alega que os nove palestinos acampados têm demandas específicas, que podem ser resolvidas internamente, aqui mesmo o Brasil, sem a necessidade de recorrer a outros países.

“Esse grupo é muito pequeno se comparado ao de palestinos que veio ao Brasil. Chegaram ao país uma centena de refugiados que estão vivenciando esse processo de integração em diferentes partes do país. O Acnur trata todos igualmente, sem distinção.”

Segundo Godinho, recentes missões realizadas pelo Acnur em Santa Maria (RS) e em Mogi Mirim (SP) – locais onde a maioria dos refugiados palestinos foi assentada – constataram que o processo de integração está ocorrendo como o planejado, “com todos os seus desafios e suas dificuldades”.

“Muitas pessoas estão trabalhando, as crianças estão estudando, os casos médicos são atendidos pela rede pública de saúde. É um processo que está ocorrendo dentro dos padrões. Essa demanda específica de ir para fora do Brasil é muito difícil de ser atendida porque depende única e exclusivamente dos países para os quais eles reivindicam ser assentados. Não depende do Acnur ou do governo brasileiro.”




 


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