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São Paulo - Sessenta anos depois da promulgação da Declaração Universal
dos Direitos Humanos, alguns artigos do documento aprovado em assembléia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ainda não são respeitados por empresas e pelo Estado brasileiro. Na opinião de Ricardo
Young, presidente do Instituto Ethos, dedicado a promover práticas de
responsabilidade social corporativas, as companhias e os
órgãos governamentais, há anos, já não avançam para resolver de forma efetiva
desigualdades encontradas em ambientes de trabalho. “Dos dez princípios universais que constam da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sete dizem respeitos a direitos humanos
propriamente ditos e a direitos do trabalho. Por que essa agenda avança
tão pouco?”, disse Young à Agência Brasil. “Realizamos pesquisas sobre a diversidade em empresas há oito anos e verifica-se que
estamos estacionados no assunto.” Dados de levantamentos citados por Young apontam que, enquanto
as mulheres representam 40% da População Economicamente Ativa (PEA) do país,
elas ocupam somente 35% das vagas de emprego. Ainda segundo Young, enquanto mais da
metade da população brasileira é negra e 13% têm alguma deficiência, só 3,5% e
0,4% dos cargos de direção são ocupados pelos negros e deficientes,
respectivamente. “Nem as leis estão sendo aplicadas corretamente”,
complementou Young, lembrando que já existe legislação que prevê a reserva
de vagas de emprego em empresas com mais de 100 funcionários para trabalhadores
com deficiência. “Por que as empresas, mesmo quando se dizem socialmente
responsáveis, não cumprem tudo o que está estabelecido? Por que o governo, que
deveria servir como exemplo, também não o faz?” Hoje (24), Young discutirá práticas de direitos humanos durante evento que vai reunir, em São Paulo, representantes do governo e 300
presidentes de companhias brasileiras. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH),
Paulo Vannucci, estarão presentes. Segundo Rogério Sottili, secretário adjunto da SEDH, serão discutidas formas para que as empresas aprofundem sua participação
nas ações para aumento de direitos dos trabalhadores. Igualdade racial e de
gênero, trabalho infantil, trabalho forçado e acessibilidade e empregabilidade
de deficientes farão parte da pauta do encontro. Ao final do evento, de acordo com Sottili, empresários
e governo assinarão uma declaração em que se comprometem a intensificar
práticas voltadas ao cumprimento da Declaração Universal dos Direitos
Humanos.
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